A liberdade de imprensa atingiu seu pior nível em 25 anos, segundo relatório divulgado nesta quinta-feira (30) pela Repórteres Sem Fronteiras. A pontuação média de todos os países do mundo caiu para o índice mais baixo da série histórica, indicando uma deterioração global das condições para o exercício do jornalismo.
O alerta vem acompanhado de uma constatação preocupante: a queda afeta não apenas países autoritários, mas também democracias consolidadas. Segundo Artur Romeu, diretor da organização para a América Latina, a liberdade de imprensa enfrenta ameaças crescentes em regimes democráticos, onde jornalistas e meios de comunicação são cada vez mais hostilizados e tratados como inimigos públicos.
O Brasil é uma exceção positiva nesse contexto. Subiu 58 posições no ranking desde 2022, ultrapassando os Estados Unidos pela primeira vez. Mesmo assim, a maior parte do mundo enfrenta cenário de dificuldade.
Um conjunto de crises
Romeu aponta que a queda da liberdade de imprensa resulta de um “conjunto de crises”. Os principais fatores incluem assédio contra jornalistas, desinformação generalizada e a percepção de que é cada vez mais difícil exercer a profissão. A deterioração ocorre em um momento em que as democracias enfrentam fragilidades múltiplas, e parte dos discursos políticos identificam a mídia como adversária.
Nas Américas, a situação é particularmente grave. Argentina, Peru e Equador registraram pioras significativas nos últimos anos. O México permanece como o país mais violento para jornalistas na região, com mais de 150 profissionais assassinados desde 2010. Peru e Equador também enfrentaram assassinatos de jornalistas no ano passado.
Direito da sociedade, não apenas dos jornalistas
Para reverter essa tendência, Romeu enfatiza que a liberdade de imprensa não deve ser entendida apenas como um direito profissional. Trata-se de um direito coletivo e vital para que cidadãos acessem informações confiáveis, livres e independentes, necessárias para tomar decisões importantes sobre suas vidas e participação política.
As recomendações da organização indicam que governos não devem apenas evitar censurar a mídia, mas agir proativamente para criar um ambiente favorável ao jornalismo. Isso inclui novas legislações sobre regulação de plataformas digitais, inteligência artificial, proteção de jornalistas e políticas públicas de fomento à imprensa com maior pluralismo e diversidade.










