Brasília (DF) – O fervor gerado pela Copa do Mundo da FIFA serve agora de pano de fundo para um movimento de enfrentamento social. Entidades ligadas aos direitos humanos e órgãos de fiscalização uniram forças sob o lema Cartão Vermelho ao Trabalho Infantil, uma tentativa de aproveitar a visibilidade do esporte para colocar em xeque uma realidade persistente. A iniciativa ganha corpo próximo ao 12 de junho, data que marca o Dia Mundial e Nacional de Combate ao Trabalho Infantil.
A força-tarefa é composta por órgãos como o Ministério do Trabalho e Emprego, o Ministério Público do Trabalho, a Justiça do Trabalho, a Organização Internacional do Trabalho e o Fórum Nacional de Prevenção e Erradicação do Trabalho Infantil. O desafio é complexo e toca feridas profundas da desigualdade brasileira. O material de apoio, incluindo cartilhas e orientações de mobilização, está disponível no site oficial do Fórum.
Os dados revelam a urgência do problema. Enquanto o mundo conta 138 milhões de crianças em situação de exploração, o Brasil enfrenta um cenário interno de 1,64 milhão de jovens nessa condição, conforme o levantamento mais recente do IBGE. O impacto na educação é evidente: a frequência escolar entre esses adolescentes cai quando comparada à média nacional. Houve um salto de 2,1% no número de jovens explorados em relação a 2023, com o Sul e o Nordeste liderando o avanço negativo da estatística.
O perigo vai além da sala de aula. Pelo menos 560 mil dessas crianças desempenham as chamadas piores formas de trabalho, tarefas que incluem insalubridade extrema ou exploração sexual. Entre 2007 e 2024, o Ministério Público do Trabalho registrou mais de 45 mil acidentes graves envolvendo menores no país. A coordenadora da Coordinfância, Fernanda Brito Pereira, aponta que o grande entrave para combater o problema é a naturalização da prática, que frequentemente permanece invisível aos olhos da sociedade.
Vinícius Pinheiro, diretor da Organização Internacional do Trabalho no Brasil, defende que a união coletiva em torno da pauta é o único caminho. O objetivo é que os jovens reconheçam seus direitos e identifiquem as violações antes que elas deixem marcas irreversíveis.
Para quem deseja agir, o caminho passa pela denúncia formal. O cidadão pode reportar casos suspeitos através do Disque 100, do Sistema Ipê ou diretamente pelos canais digitais do Ministério Público do Trabalho. A mobilização está aberta a organizações da sociedade civil, setor privado e qualquer pessoa que queira tirar da invisibilidade aqueles que tiveram a infância interrompida.









