São Paulo (SP) – O Auditório do Museu do Futebol, em São Paulo, será palco na próxima quinta-feira (4) de uma das vindas mais aguardadas do cenário literário atual. Norman G. Finkelstein, cientista político cujas teses sobre a exploração da memória do extermínio nazista geram debates acalorados, apresenta no Brasil o livro “A indústria do Holocausto”. A obra, editada no país pela Autonomia Literária, disseca o que o autor chama de transformação do sofrimento das vítimas em um ativo ideológico a serviço de interesses políticos específicos.
Filho de sobreviventes que atravessaram os horrores do Gueto de Varsóvia e de campos de concentração, Finkelstein construiu sua carreira questionando as narrativas oficiais sobre o uso político desse legado, o que lhe rendeu tanto seguidores ferrenhos quanto perseguições severas. A vinda ao Brasil ocorre durante a Feira do Livro, evento que segue até o dia 7 de junho e recebe o autor para uma conversa com a jornalista Patrícia Campos Mello. O encontro, intitulado “Holocausto e Palestina”, deve colocar sob os holofotes a crítica incisiva do autor sobre a expansão das colônias em territórios palestinos e a atual dinâmica de poder no Oriente Médio.
Cauê Seignemartin Ameni, à frente da Autonomia Literária, sublinha a integridade intelectual do pesquisador. Para ele, Finkelstein se consolidou como uma voz singular por não se curvar a pressões sistêmicas — um contraste notável, na visão do editor, com figuras públicas que cederam às influências do caso Jeffrey Epstein. O cientista, inclusive, teria rechaçado investidas polêmicas do magnata, fato que reforçou sua relevância no cenário internacional recente.
Paralelamente à agenda política do autor, a programação do evento explora a necessidade de romper com o monopólio da narrativa hegemônica. Na quarta-feira (3), às 15h40, nomes como Laura di Pietro, da editora Tabla, discutem no Espaço Motiva Tablado Literário os caminhos da “bibliodiversidade”. A ideia central é combater a visão eurocêntrica que historicamente limitou o repertório literário brasileiro.
Para Di Pietro, publicar obras da Ásia Ocidental e do Norte da África é, em última análise, um ato de resistência contra visões coloniais e simplistas impostas pelos grandes canais de notícia. A editora reforça que o desconhecimento sobre essas culturas acaba por legitimar leituras distorcidas de conflitos atuais. Em um momento de profunda instabilidade geopolítica, onde a justificação do injustificável parece ser a norma, o esforço é simples e urgente: abrir portas para que outras histórias, etnias e tradições falem por si mesmas, sem o filtro das elites norte-americanas ou europeias.













