São Paulo (SP) – O encerramento do Conasamba 2026, realizado na capital paulista entre os dias 4 e 7 de junho, deixou um recado claro ao governo federal. A Federação Nacional das Escolas de Samba (Fenasamba) quer que o carnaval deixe de ser tratado apenas como um evento festivo sazonal para se tornar uma política de Estado constante, garantindo que o repasse de verbas alcance comunidades muito além dos desfiles televisionados do Rio de Janeiro e de São Paulo.
O documento batizado de Carta de São Paulo sintetiza essa demanda. O texto reivindica ao Ministério da Cultura a criação de uma Política Nacional de Fomento ao Carnaval. A ideia central é que o suporte financeiro não seja apenas uma resposta de última hora aos organizadores locais, mas um mecanismo sólido e previsível que permita o planejamento a longo prazo para escolas de bairro e desfiles comunitários de pequeno porte.
A federação argumenta que o modelo atual de financiamento falha ao ignorar a diversidade regional. Ao concentrar recursos em capitais com grande apelo turístico, o sistema deixa desamparadas milhares de agremiações que cumprem um papel social vital, mantendo vivas tradições ancestrais e a formação técnica de novos profissionais. A proposta pede, portanto, critérios que levem em conta o impacto cultural e o fortalecimento das identidades locais em todos os estados brasileiros.
Durante os quatro dias de congresso, o debate tocou em pontos sensíveis, como a sustentabilidade do setor e o protagonismo feminino na engrenagem das escolas. Ficou evidente para os representantes do setor que o samba funciona como um motor econômico e educativo subutilizado. A falta de equidade na distribuição dos fundos públicos foi apontada como o principal entrave para a profissionalização desses trabalhadores.
A entidade quer que o Estado assuma uma postura ativa na democratização do acesso a mecanismos de financiamento. Para a Fenasamba, a longevidade dessa manifestação cultural depende diretamente da capacidade de transformar o carnaval de rua em uma política permanente. O objetivo final é o intercâmbio de experiências entre diferentes regiões, consolidando o samba como um pilar da identidade nacional que precisa de investimento contínuo, independente da época do ano ou do tamanho da vitrine midiática.













