Por: Pr., Esc. Vanderlei M Barros uma crítica literária.
A verdadeira literatura não se mede pela quantidade de honrarias ou títulos acadêmicos que o autor ostenta no currículo, mas pela capacidade crua e visceral de tocar a alma de quem lê. É exatamente essa a sensação que nos assalta ao mergulhar nos versos de “Gota d’Água”, poema da escritora capixaba romancista “Ana Maria Cacia” — autora que já demonstrou sua força narrativa nos romances “A Garota da Capa” e na marcante continuação “A Garota da Capa: O Legado” (obra para a qual tive a imensa honra e o privilégio criativo de ser o capista).
Em Gota d’Água, Ana Maria Cacia abandona temporariamente as longas linhas da prosa para nos entregar uma síntese poética sobre a própria existência humana. O poema constrói uma metáfora fluida e poderosa sobre a metamorfose da vida: partimos da insignificância poética de um simples pingo de chuva para nos tornarmos rios e, finalmente, mares bravios.
Com rimas bem lapidadas e um ritmo constante, a autora não mascara as dores da jornada. Ela fala sobre “sobreviver por um fio” e a coragem necessária para “nadar contra a corrente”. Há ali um manifesto de bravura que recusa a acomodação, lembrando-nos de que a vida perde o encanto se desprovida de aventura e de enfrentamento.
O grande fecho de ouro do poema está no reencontro do indivíduo com sua própria vulnerabilidade. Mesmo reconhecendo-se oceano — forte, vasto e imenso —, a voz poética não esconde que a alma ainda sente o impacto das tempestades. Essa honestidade emocional é o que transforma o poema de Ana Maria Cacia em um espelho no qual todos nós nos reconhecemos.
Uma obra enxuta, belíssima e carregada de uma humanidade pulsante:
GOTA D’ÁGUA
Uma poesia da escritora Ana Maria Cacia.
Como uma gota d’água
Cai aqui nesse mundo
Não sei se foi por acaso
Ou por um gesto fecundo.
De gotinha, virei rio.
De rio, um mar bravio.
Entre ondas e tempestades
Sobrevivi por um fio.
Nadar contra a corrente
Exige muita bravura,
Mas a vida não tem graça
Se não tiver aventura.
Ainda sou oceano…
Sou mar, sou rio fluente,
Mas as tormentas da vida
Minh’alma ainda as sente.
Celebrar a escrita de Ana Maria Cacia neste espaço é reafirmar o compromisso de que a cultura de uma cidade se constrói com a união dos seus talentos. A literatura de uma terra só se torna forte quando caminha alinhada com a educação, o turismo e o incentivo ao fazer artístico, pois são os nossos livros, nossa arte e nosso legado que edificam a memória e o orgulho de um povo.
Aqui expresso o meu orgulho de ver a arte pulsar em cada esquina; e aos escritores e romancistas que gestam suas histórias no cotidiano — com ou sem os holofotes do meio acadêmico —, o meu mais profundo respeito. Vocês são a seiva que alimenta o nosso patrimônio cultural vivo.
À minha querida amiga e parceira de artes, Ana Maria Cacia, o meu muito obrigado por nos presentear com a sua sensibilidade e por nos lembrar de que, diante de qualquer tempestade, sempre vale a pena continuar sendo mar.













Suas matérias são de excelência. Você é brilhante. Parabéns.
Minha querida Presidente Ireni Peterle, que alegria e honra receber suas palavras! Seu reconhecimento é um combustível sem preço. Essa nossa troca e o apoio mútuo em cada conquista — seja nas páginas dos livros, nos polos acadêmicos ou nos bastidores da nossa amada ALAVENI — mostram a força da nossa união pela arte.
Você é uma escritora gigante e uma líder admirável, cuja paixão vibrante pela cultura nos contagia, inspira e impulsiona a ir sempre além. É um privilégio enorme caminhar ao seu lado nessa jornada. Muito obrigado pelo carinho de sempre e por conduzir nossa arcádia com tanto brilho! Seguimos juntos, sempre na vanguarda da nossa literatura!