Venda Nova do Imigrante (ES) – A obesidade consolidou-se como o principal fator de risco para a saúde dos brasileiros, destronando a hipertensão, que liderou o ranking de preocupações médicas por décadas. O diagnóstico faz parte do Estudo Global sobre Carga de Doenças, uma análise abrangente que monitora indicadores de saúde em mais de 200 países. Os dados, publicados recentemente na revista The Lancet Regional Health – Americas, refletem transformações profundas no estilo de vida nacional.
O endocrinologista Alexandre Hohl, ligado à Abeso e à Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, aponta que vivemos em um verdadeiro “ambiente obesogênico”. A urbanização acelerada, somada à redução da atividade física e à onipresença de alimentos ultraprocessados, criou um terreno fértil para essa mudança epidemiológica. Hohl é direto ao definir a condição: não se trata apenas de peso extra, mas de uma doença inflamatória e metabólica crônica que abre caminho para diabetes, infarto e diversos tipos de câncer.
Ao olharmos para 1990, o cenário era outro: a hipertensão ocupava o topo, seguida pelo tabagismo e pela poluição. Hoje, o Índice de Massa Corporal (IMC) elevado saltou da sétima para a primeira posição, com um crescimento acumulado de 15,3% no risco atribuído. Enquanto avançamos no combate à poluição — com queda de 69,5% no risco associado — e reduzimos drasticamente os danos do cigarro, enfrentamos agora o desafio urgente de conter o avanço das doenças metabólicas e o impacto crescente de traumas sociais, como a violência sexual na infância, que subiu para a décima posição entre os fatores de risco.













