São Paulo (SP) – O dólar encerrou esta sexta-feira, dia 15, cotado a R$ 5,067, registrando uma valorização de 1,63%. Esse patamar representa o maior nível da moeda norte-americana em um mês, superando a marca de R$ 5,10 vista pela última vez em 8 de abril. Enquanto a divisa ganhava força, o Ibovespa, principal índice da Bolsa brasileira, sentia o peso do clima de cautela e fechou o dia aos 177.284 pontos, uma queda de 0,61%.
A pressão das taxas de juros
O mercado financeiro reagiu a uma combinação de fatores, com destaque para a mudança de percepção sobre a política monetária nos Estados Unidos. Investidores estão cada vez mais receosos de que o Federal Reserve mantenha os juros elevados por um período mais longo, reflexo de uma inflação global persistente. O cenário ganhou contornos mais dramáticos durante a madrugada, quando os títulos públicos do Japão dispararam. Os papéis de dez anos atingiram 2,37%, o maior patamar desde 1999, impulsionados por uma aceleração da inflação ao produtor japonês para 4,9% em abril.
A alta dos rendimentos no Japão forçou o desmonte de operações de carry trade. Nessa estratégia, investidores captam recursos baratos em países como o Japão para aplicá-los em mercados de juros mais altos, como o Brasil. Com a reversão desse fluxo, o capital flui de volta para o dólar, retirando liquidez de economias emergentes. Esse movimento de aversão ao risco não poupou os mercados internacionais, com o S&P 500, em Nova York, recuando 1,23%.
Ruídos políticos e tensões no Oriente Médio
O cenário doméstico também contribuiu para a instabilidade. Investidores monitoraram de perto notícias envolvendo o senador Flávio Bolsonaro e o banqueiro Daniel Vorcaro, além de reportagens sobre as conexões do deputado cassado Eduardo Bolsonaro com o Banco Master. Esse ambiente de incerteza política serviu como um catalisador para a busca por segurança na moeda americana, pressionando os ativos brasileiros durante todo o dia.
Somado a isso, o petróleo disparou nos mercados internacionais, com o barril do Brent subindo 3,35% e alcançando US$ 109,26. O motivo é a escalada das tensões no Oriente Médio, especificamente em relação ao Estreito de Ormuz, uma rota vital que escoa 20% do petróleo mundial. Declarações do presidente Donald Trump sobre o esgotamento de sua paciência com o Irã, respondidas com desconfiança pelo chanceler iraniano Abbas Araqchi, mantêm a volatilidade alta. O medo de que o conflito interrompa o fornecimento de energia apenas reforça o temor de uma inflação ainda mais difícil de controlar globalmente.













