Brasília (DF) – O cenário para o tratamento dos sintomas da menopausa no Brasil acaba de ganhar um novo capítulo com a autorização do uso do fezolinetanto. A decisão regulatória abre caminho para a comercialização do Veoza, medicamento oral desenvolvido pela Astellas Farma, desenhado especificamente para combater as frequentes ondas de calor e os suores noturnos que acompanham essa fase da vida feminina.
O aval para o fármaco baseou-se em uma bateria de testes que envolveu três ensaios clínicos de fase 3. Ao todo, mais de 3 mil participantes foram acompanhados entre Estados Unidos, Europa e Canadá para comprovar a eficácia da substância antes de sua chegada às farmácias brasileiras.
A lógica por trás do tratamento não envolve a reposição hormonal. A estratégia foca no equilíbrio químico do cérebro. Em um organismo que ainda não alcançou a menopausa, existe uma harmonia precisa entre os estrogênios e a neurocinina B (NKB). Esse balanço é o que dita o funcionamento do termostato natural do corpo, localizado no sistema nervoso central.
Quando a transição hormonal ocorre, o declínio do estrogênio rompe essa balança. O resultado imediato desse descompasso é a desregulação do controle térmico, desencadeando os episódios de calor súbito que tantas mulheres enfrentam diariamente. Ao intervir nesse processo de sinalização neural, o medicamento busca retomar parte dessa estabilidade perdida.
A necessidade de novas opções terapêuticas no Brasil salta aos olhos quando observamos os números. Se globalmente a incidência de sintomas vasomotores moderados a intensos atinge cerca de 15,6% das mulheres na faixa dos 40 aos 65 anos, o cenário doméstico é mais crítico. Por aqui, a prevalência chega a 36,2% no mesmo grupo etário.
O impacto vai além do desconforto térmico. Quase 70% das brasileiras que lidam com esse quadro classificam as manifestações como intensas. O relato comum, que se reflete nas estatísticas de produtividade e bem-estar, aponta que o prejuízo no sono e na rotina diária é severo. Com a aprovação, o medicamento passa a figurar como uma ferramenta na mão dos médicos para tentar devolver a qualidade de vida a esse grupo que sofre com os efeitos mais acentuados da queda estrogênica.











