A revelação de diagnósticos de câncer de ovário por mulheres conhecidas do grande público ajudou a ampliar o debate sobre uma das doenças ginecológicas mais silenciosas e perigosas para a saúde feminina. Nomes como Ana Maria Braga, que já revelou ter enfrentado um câncer na região abdominal, a cantora Kylie Minogue, a atriz Shannen Doherty e a atriz Sônia Braga, que já falou publicamente sobre cirurgias preventivas relacionadas à saúde ginecológica, contribuíram para aumentar a conscientização sobre os sinais e riscos da doença.
Agora, um levantamento inédito realizado pela plataforma EpiMarket, da TechtrialsAttachment.png, expõe também o peso econômico do câncer de ovário no Brasil. Segundo os dados, a doença gerou um custo superior a R$ 469,19 milhões ao Sistema Único de Saúde (SUS) nos últimos cinco anos, considerando gastos com internações e medicamentos de alto custo.
O estudo mostra que apenas as hospitalizações relacionadas ao câncer de ovário consumiram R$ 301,43 milhões dos cofres públicos. Foram registradas 70.056 internações envolvendo 12.069 pacientes, com média de permanência hospitalar de 7,4 dias. O custo médio por internação ficou próximo de R$ 4 mil.
Além disso, os tratamentos quimioterápicos somaram R$ 167,76 milhões em despesas para o SUS. Entre os medicamentos mais utilizados está o Docetaxel, responsável sozinho por mais de R$ 94 milhões em custos.
Para Douglas Andreas Valverde, os números revelam um cenário preocupante de saúde pública.
“Estamos falando de uma doença que ainda é diagnosticada, na maior parte das vezes, em fases avançadas, o que aumenta significativamente a complexidade do tratamento e, consequentemente, os custos para o sistema público de saúde. O uso de dados em saúde permite entender melhor esse cenário e contribui para a construção de políticas públicas mais eficientes”, afirma o especialista.
O ginecologista Dr. César Patez alerta que o principal desafio continua sendo a dificuldade de identificação precoce da doença.
“Muitas mulheres convivem durante meses com sinais sutis, como desconforto abdominal, sensação de inchaço e alterações intestinais, sem imaginar que isso pode indicar algo mais grave. O acompanhamento ginecológico regular continua sendo a principal ferramenta para aumentar as chances de descoberta precoce e tratamento adequado”, explica.
Os sintomas do câncer de ovário costumam ser confundidos com alterações gastrointestinais ou hormonais, o que contribui para diagnósticos tardios. Entre os sinais mais frequentes estão dores abdominais persistentes, sensação de barriga inchada, alterações intestinais, dores pélvicas e aumento do volume abdominal.
Outro ponto que vem ganhando atenção entre especialistas é a relação entre endometriose e câncer de ovário. Embora rara, a associação existe e reforça a importância do acompanhamento médico contínuo.
Segundo o ginecologista Dr. Vinícius Araújo, o diagnóstico correto da endometriose pode ajudar a reduzir riscos e melhorar o prognóstico das pacientes.
“O diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução da doença e intervir no momento certo. Em casos específicos, podemos pensar até em estratégias de preservação da fertilidade. O mais importante é um cuidado individualizado e multidisciplinar”, afirma.
O especialista destaca ainda que a endometriose não se transforma diretamente em câncer, mas pode elevar discretamente o risco de desenvolvimento da doença.
“A endometriose aumenta o risco de desenvolver câncer de ovário. No entanto, a endometriose não se transforma diretamente em câncer e esse risco adicional é estatisticamente muito baixo, afetando apenas uma pequena minoria das pacientes”, esclarece Dr. Vinícius.
Especialistas reforçam que campanhas de conscientização, exames de rotina e atenção aos sintomas continuam sendo as principais estratégias para ampliar as chances de diagnóstico precoce e reduzir tanto os impactos humanos quanto financeiros da doença.










