São Paulo (SP) – O deslocamento do cacique Raoni Metuktire, aos 94 anos, marcou a manhã desta sexta-feira (19). Às 11h30, ele deixou as instalações do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, em Sinop, norte de Mato Grosso, rumo ao Hospital São Paulo, unidade vinculada à Escola Paulista de Medicina da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). O líder indígena estava hospitalizado desde o dia 14, e a mudança de unidade visa a manutenção estratégica de seu tratamento.
O quadro de saúde atual do cacique traz sinais de alívio. As funções renais e intestinais registraram melhoras consistentes nos últimos dias. Raoni permanece lúcido, orientado e consciente, mantendo um ritmo respiratório espontâneo, sem qualquer necessidade de auxílio por aparelhos. Atualmente, ele recebe suporte nutricional por via intravenosa, o chamado método parenteral.
A decisão pela transferência não foi tomada de forma isolada. Ela resultou de uma análise conjunta entre os times médicos das duas instituições envolvidas. A prioridade, conforme detalhado nas comunicações oficiais, é garantir que o paciente tenha acesso a uma estrutura de referência capaz de oferecer um acompanhamento cirúrgico mais detalhado e específico.
Para viabilizar a logística, o governo do Mato Grosso disponibilizou uma aeronave, mobilizando diversos setores da gestão pública. Durante o trajeto até a capital paulista, Raoni foi assistido de perto pelo médico Douglas Yanai, que acompanhava o caso desde a internação inicial em solo mato-grossense.
A operação de transferência envolveu também uma figura central na trajetória de saúde do líder: o médico Douglas Antônio Rodrigues. Como responsável pelo Ambulatório de Saúde dos Povos Indígenas da Unifesp, ele acompanha o cacique há décadas e participou ativamente de todo o planejamento do traslado.
A partir de agora, a responsabilidade técnica no Hospital São Paulo recai sobre o professor e cirurgião Franz Robert Apodaca Torrez. Ele já vinha mantendo contato direto com as equipes anteriores, alinhando as etapas da evolução clínica de Raoni e a coordenação dos procedimentos futuros. A transferência sela um esforço coordenado entre estados e instituições federais para assegurar que um dos mais notórios defensores dos direitos indígenas receba o aporte necessário para sua recuperação.









