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Home Brasileirão

Pandemia fez muita gente perceber que já estava doente há muito tempo!

A doença nos fez perceber que vivemos numa sociedade cronicamente doente.

Fabiano de Abreu Agrela Por Fabiano de Abreu Agrela
domingo, 3 de janeiro de 2021
Em Palavra Aberta, Qualidade de Vida
Reading Time: 4 mins read
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A covid-19 assolou o mundo e nos levou a repensar a vida, as nossas escolhas, e como estávamos utilizando o nosso próprio tempo.

A parada forçada de toda uma sociedade habituada a viver num ritmo frenético, onde a produção não podia desacelerar e a economia não podia estagnar, nos fez compreender, mesmo que por apenas um de tempo, que existem outras formas de vida possíveis.

A doença nos fez perceber que vivemos numa sociedade cronicamente doente. Que fazemos parte de uma sociedade que nos anula e nos faz viver em função das regras sociais de consumo que não necessariamente nos fazem felizes.

Estávamos doentes emocionalmente, nossa mente estava nos levando a um cansaço crônico pela falta de tempo, pela falta de conexões verdadeiras, pela falta de atividades que nos fizessem sentir verdadeiramente felizes e realizados.

A covid-19 nos levou a fazer um balanço pessoal em todas as áreas de nossa vida, levou até os mais ignorantes a repensarem o que estavam fazendo com a própria vida. A palavra “propósito”, nunca foi tão discutida e pesquisada. Milhares de pessoas começaram a se perguntar: Qual é o meu propósito de vida?

Fomos forçados a desenvolver a criatividade na criação de novas metas e a nos moldar moderando as expectativas ao momento atual.

A busca pela felicidade se tornou frenética, e passamos a buscar funções sociais que se encaixassem na nossa personalidade, desejos e sonhos.

Percebemos que, nós humanos não podemos mais agir como se fossemos máquinas, embora muitos, tão acostumados a viverem no automático, desejaram com todas as suas forças que a vida voltasse ao normal, para que pudessem de novo viver como um robô, sem tempo para nada.

O que muitos não compreenderam é que este isolamento social foi necessário para que pudéssemos nos aproximar do nosso mais puro ser e aprender a lidar com o que estava a nos matar aos poucos.

Iniciamos um novo ciclo, e ele pede para que sejamos mais equilibrados, que aprendamos a controlar o nosso íntimo para que possamos seguir por caminhos melhores, que nos satisfaçam pessoalmente e nos realize emocionalmente.

Só a doença pode nos mostrar o caminho da cura.

Todos nos sentimos doentes, mesmo aqueles que não foram infectados pelo vírus, doentes pois conseguimos olhar para disfunções sociais causadas em grande parte pelo avanço tecnológico e pelo tanto de coisas que “precisamos” fazer em um único dia.

Nosso organismo tem um DNA programado, nosso código genético tem determinações e por dezenas de anos nós burlamos essas pausas necessárias que todos precisamos porque compreendíamos que deveríamos seguir crescendo freneticamente e pagamos o preço por isso.

A doença nos trouxe o lado instintivo de forma diferente para nos alertar do perigo. Não foi o suficiente para nos “consertar” mas mostrou o que há de melhor e pior em nós.

E esse escancarar das mazelas humanas se fez necessário para que pudéssemos, juntos, olhar para frente com uma nova consciência, para que nos movêssemos em busca da inteligência emocional, e para que buscássemos novas formas de lidar com os desafios que a vida nos traz.

Só quando conscientemente o individuo entende que está doente, não só fisicamente, mas emocionalmente, é possível buscar a cura. Enquanto não se percebe que está doente, não há como se sentir feliz, pois a cura só chega a quem se dedica em buscar meios de se curar.

Quem entendeu o recado se moveu em direção do novo com entusiasmo, mesmo com medo, e conquistou grandes vitórias em 2020, mas quem paralizou e deixou o medo tomar conta, quem reclamou de tudo, quem se lamentou e se entregou ao desânimo, perdeu 365 dias e adoeceu ainda mais.

É uma escolha adoecer ou se curar. Mesmo que muitos pensem que isso não é verdade.

Quando escolhemos brigar com a realidade espalhamos dor e sofrimento por onde passamos, mas quando escolhemos aceitar e agir com o que temos, nós encontramos a cura para diversos males existentes em nossa sociedade, família, e em nós mesmos.

Que possamos escolher agir positivamente nesse novo ciclo! Essa escolha beneficiará a todos nós!

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Fabiano de Abreu Agrela

Fabiano de Abreu Agrela

Doutor e Mestre em Psicologia da Saúde pela Université Libre des Sciences de L'Homme de Paris, Doutor e Mestre em Ciências da Saúde com ênfase em Psicologia e Neurociência pela Emil Brunner World University, Mestre em Psicanálise Freudiana e Lacaniana pelo Instituto e Faculdade Gaio, Especialização em Propriedades Elétricas dos Neurônios em Harvard, Especialização em Nutrição Clínica pela TrainingHouse, Pós Graduação em Neuropsicologia pela Cognos, Pós Graduação em Neurociência pela Faveni. Neurocientista, Neuropsicólogo, Psicólogo, Psicanalista, Jornalista e Filósofo integrante da SPN - Sociedade Portuguesa de Neurociências – 814, da SBNEC - Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento – 6028488 e da FENS - Federation of European Neuroscience Societies - PT 30079. Registro e currículo como pesquisador no Brasil: http://lattes.cnpq.br/1428461891222558 Registro e currículo como pesquisador e cientista em Portugal: https://www.cienciavitae.pt//pt/8316-38CC-0664 https://www.doctoralia.com.br/fabiano-de-abreu/psicanalista/rio-de-janeiro

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