Cariacica (ES) – O Centro de Práticas Integrativas e Complementares, conhecido pela sigla CRPIC, completou duas décadas e meia de história no Espírito Santo. Instalada no Centro Regional de Especialidades Metropolitano, em Cariacica, a unidade consolidou-se como um pilar de acolhimento dentro da rede pública de saúde. Atualmente, o serviço atende mais de 28 mil usuários, oferecendo tratamentos de acupuntura e homeopatia que buscam olhar para o paciente para além do sintoma físico.
Para celebrar o marco, um evento realizado na última quinta-feira, 14 de novembro, reuniu profissionais, pacientes e autoridades. O encontro, que aconteceu no auditório do CRE, foi uma oportunidade de resgatar a trajetória da instituição, que começou modesta e hoje é uma referência estadual. De acordo com o Governo ES, a celebração reforçou o compromisso com um modelo de cuidado que prioriza a escuta ativa e a humanização do tratamento, princípios defendidos pela coordenadora do CRPIC, a médica homeopata Norma Persio.
A evolução do atendimento
A história da unidade é marcada por mudanças estratégicas. A médica aposentada Ana Novaes, peça-chave na fundação do serviço, recorda que o sonho ganhou forma ainda no antigo prédio do Instituto de Aposentadorias e Pensões dos Industriários, em Vitória. A migração para o CRE Metropolitano, em 2007, foi o salto necessário para que a acupuntura fosse incorporada e as práticas integrativas fossem definitivamente inseridas na política pública de saúde capixaba.
Hoje, o volume de trabalho impressiona. A equipe, composta por médicos especialistas e residentes, realiza mais de mil atendimentos mensais. A acupuntura responde por cerca de 700 consultas, sendo muito procurada para o manejo de enxaquecas, fibromialgia e dores crônicas na coluna. Já a homeopatia, com 720 atendimentos por mês, foca na investigação profunda das condições emocionais e físicas do paciente para encontrar o medicamento que auxilie o organismo a encontrar o equilíbrio.
Relatos de quem sente a diferença
O sucesso do modelo é medido pelo impacto na vida de quem passa pelo serviço. O jornalista Magno Lovatti, de 55 anos, iniciou seu tratamento em 2025 e já colhe os frutos de uma abordagem adaptada às suas necessidades. Ele conta que, além da melhora significativa na qualidade do sono, conseguiu reduzir as dores nas articulações e tendões que prejudicavam sua rotina. Para ele, a personalização do cuidado é o grande diferencial.
A visão de que o tratamento deve considerar o indivíduo como um todo é compartilhada por Luziete Coimbra, de 60 anos. A aposentada acompanha o trabalho do CRPIC há três décadas. Ela relembrou como a homeopatia foi determinante para curar as crises de otite da filha ainda na infância e, posteriormente, auxiliar no controle de sua rinite alérgica. Francisco Luiz da Silva, de 65 anos, também relata resultados positivos com a acupuntura, ressaltando que o alívio na dor lombar o convenceu da eficácia das agulhas.
O futuro e o acesso aos serviços
O médico Édiron Carpes, preceptor da residência de acupuntura, explica que o processo começa com uma avaliação criteriosa. Após a primeira consulta, o paciente é inserido em um programa, que geralmente totaliza dez sessões semanais. A expectativa do CRPIC é expandir ainda mais sua atuação em 2026, integrando técnicas como auriculoterapia e moxabustão ao rol de serviços oferecidos.
O acesso ao CRPIC é gratuito e não exige encaminhamento médico prévio. Interessados podem buscar informações presencialmente ou pelos telefones (27) 3636-2698 e 3636-2699, de segunda a sexta-feira, entre 7h e 16h. É necessário participar de uma palestra informativa antes de iniciar o tratamento. O Centro está localizado no 2º andar do CRE Metropolitano, na Rodovia Mário Gurgel, em Cariacica, ao lado da Estação Pedro Nolasco.













