Serra (ES) – O campo brasileiro reagiu com força às adversidades impostas pelo El Niño no ciclo anterior e alcançou marcas históricas. A colheita nacional de cereais, leguminosas e oleaginosas atingiu 345,4 milhões de toneladas, o que representa um salto de 18,2% sobre o desempenho acumulado em 2024. A combinação entre esse volume expandido e as cotações do mercado gerou um valor bruto de produção de R$ 927,2 bilhões — avanço de 18,4% em relação ao ano anterior, em valores correntes. O resultado se estabelece como a maior cifra já registrada no país desde a implantação do Plano Real, em 1994.
Pela primeira vez na história, a área colhida no território nacional ultrapassou a barreira dos três dígitos, somando 100,6 milhões de hectares — crescimento de 4,4% no comparativo anual. Essa dimensão equivale a 1 milhão de quilômetros quadrados, ultrapassando a extensão territorial inteira de Mato Grosso, que possui 903,2 mil quilômetros quadrados, e aproximando-se da área total da Bolívia, de 1,10 milhão de quilômetros quadrados. Esse avanço territorial teve a soja como grande protagonista: a cultura rendeu R$ 315,2 bilhões, correspondendo a 34% de todo o montante gerado pela agricultura do país e assegurando a liderança global do Brasil em produção e vendas externas. O volume colhido da oleaginosa subiu 14,4%, atingindo 165,2 milhões de toneladas — 20,8 milhões a mais que no ciclo antecedente —, sustentado por disputas tarifárias entre Estados Unidos e China que desviaram a demanda chinesa para o grão nacional.
Outros cultivos estratégicos também registraram desempenhos decisivos no período. O algodão cresceu 16,4% em volume, totalizando 6 milhões de toneladas, impulsionado por investimentos expressivos em inovação, eficiência e práticas sustentáveis no Cerrado — com destaque para lavouras mato-grossenses. O salto consolidou o país como o maior exportador mundial da fibra têxtil. Já o café registrou valor de produção de quase R$ 100 bilhões, com alta de 44,7%, embora o volume colhido tenha subido discretamente 3%, alcançando 3,4 milhões de toneladas devido a limitações climáticas e desgaste das lavouras. A forte alta em receita foi explicada pela valorização expressiva das sacas na arena internacional.
No mapa da produção regional, Mato Grosso seguiu imbatível no topo ao responder por 17,9% do valor agrícola do país. O estado movimentou R$ 165,6 bilhões, expansão de 37,1% em doze meses. São Paulo ficou na segunda colocação, somando R$ 124 bilhões, seguido por Minas Gerais, com R$ 109,4 bilhões, e Paraná, com R$ 87,7 bilhões. Completam o grupo dos dez maiores produtores estaduais as lavouras de Goiás, com R$ 72,7 bilhões; Rio Grande do Sul, com R$ 71,3 bilhões; Bahia, com R$ 55,5 bilhões; Mato Grosso do Sul, com R$ 47,8 bilhões; Pará, com R$ 38,4 bilhões; e Espírito Santo, que obteve R$ 33,7 bilhões.
A distribuição territorial do faturamento agrícola também marcou o retorno do Centro-Oeste à liderança do ranking por macrorregiões, ultrapassando o Sudeste após ter perdido a posição no ciclo de 2024. Alavancado pelas culturas de soja, milho e algodão, o Centro-Oeste registrou um crescimento de 31,8% no valor gerado, totalizando R$ 288 bilhões. O Sudeste veio na sequência, somando R$ 271 bilhões com forte apoio das lavouras de café e cana-de-açúcar. Nas demais posições regionais, o Sul movimentou R$ 181,1 bilhões, enquanto o Nordeste alcançou R$ 113,7 bilhões e o Norte fechou o quadro com R$ 73,4 bilhões. Historicamente, o Sudeste liderou até 2017, cedeu espaço ao Centro-Oeste de 2018 a 2023, recuperou o topo temporariamente em 2024 e voltou a ser superado em 2025.












