Sorriso (MT) – O município mato-grossense de Sorriso deixou de ocupar a liderança isolada entre os maiores produtores agrícolas do país. A reviravolta no topo da lista veio acompanhada de uma alteração geográfica e de um avanço expressivo na colheita de outras regiões, conforme dados divulgados nesta quinta-feira (17). Sapezal assumiu o primeiro lugar, seguido por São Desidério, na Bahia, enquanto Sorriso recuou para a terceira posição.
A perda do posto tradicionalmente ocupado pela cidade conhecida como capital do agronegócio não decorreu apenas de oscilações de safra ou de mercado. O principal fator por trás da retração foi o redesenho territorial do estado de Mato Grosso, formalizado com a efetivação do município de Boa Esperança do Norte. A nova cidade absorveu terras que antes pertenciam a Sorriso e a Nova Ubiratã, encolhendo a área plantada sorrisense em 9,3% e impactando diretamente as lavouras de soja, algodão e feijão.
A batalha jurídica em torno da emancipação territorial levou mais de duas décadas. Criada por lei estadual no ano 2000, a localidade enfrentou contestações judiciais até que o Supremo Tribunal Federal autorizou o desmembramento em outubro de 2023. A instalação oficial ocorreu em 1º de janeiro de 2025, com uma população estimada em 5,9 mil habitantes, contrastando com os 124,7 mil moradores de Sorriso.
Mesmo com a redução territorial, Sorriso registrou alta no valor bruto da produção, que passou para R$ 8,16 bilhões. No entanto, o montante ficou abaixo dos R$ 8,59 bilhões alcançados por Sapezal e dos R$ 8,22 bilhões contabilizados por São Desidério. O indicador financeiro combina o volume físico colhido com os preços praticados nas negociações, sem aplicação de correção inflacionária.
O salto de 46,6% no faturamento agrícola de Sapezal teve forte influência do algodão herbáceo, responsável por 60% da receita local, somando R$ 5,13 bilhões com uma colheita de 1,2 milhão de toneladas. A nova líder também registrou expansão expressiva no valor da soja, com alta de 51,4%, e do milho, com crescimento de 58,1%.
No cenário geral, o levantamento indicou que o valor total da produção agrícola nacional atingiu R$ 927,2 bilhões, alta de 18,4% frente ao ano anterior. O estado de Mato Grosso manteve a hegemonia nacional ao somar R$ 165,6 bilhões e abrigar cinco das dez cidades mais produtivas do país, reforçando a centralidade econômica do Centro-Oeste no setor produtivo.












