Brasília (DF) – O mercado internacional de energia, convulsionado pelos recentes confrontos militares entre Estados Unidos e Irã, impôs uma mudança de rota nos planos econômicos do Palácio do Planalto. O Ministério da Fazenda postergou, ao menos até a próxima semana, qualquer anúncio sobre o encerramento do subsídio de R$ 0,44 por litro aplicado à gasolina.
A intenção inicial do ministro Dario Durigan era selar o fim da subvenção ainda durante estes dias. O cenário, contudo, mudou drasticamente na última quarta-feira (8). Com o avanço das tensões geopolíticas, a cotação do barril de petróleo disparou, alcançando a marca de US$ 80. O movimento de alta imediata forçou a equipe econômica a adotar uma postura de prudência para evitar impactos bruscos no custo de vida interno.
Em uma entrevista concedida à Rádio Gaúcha, Durigan explicou que o governo precisa de margem para observar a volatilidade externa. A estratégia de manter o desconto visa blindar o consumidor brasileiro contra o repasse integral da escalada global, que ameaça pressionar o preço de bens e serviços. O plano para os próximos dias é avaliar o comportamento das cotações para decidir se a retirada do subsídio será feita de forma integral ou gradual.
Apesar da cautela com o preço do combustível na bomba, a agenda estratégica para o setor energético permanece inalterada. A Lei do Combustível do Futuro (14.993), sancionada em 2024, segue como a bússola para a política de misturas obrigatórias no país. O marco legal define que a presença de etanol na gasolina C pode oscilar entre 27% e 35%, enquanto o biodiesel no diesel fóssil deve atingir a marca de 20% até 1º de março de 2030.
Para o governo, a instabilidade momentânea do petróleo não enfraquece a transição para combustíveis renováveis; pelo contrário, reforça a urgência da agenda. Durigan indicou que a administração federal não descarta a possibilidade de elevar os percentuais de mistura previstos em lei, caso os planos de descarbonização exijam uma aceleração maior no futuro próximo.








