Brasília (DF) – O cenário comercial brasileiro apresenta resultados robustos com a marca histórica de 700 novos mercados abertos para o setor agropecuário desde o início de 2023. Essa expansão, que contempla 99 diferentes destinos internacionais, consolidou-se através de novas autorizações sanitárias estratégicas. O volume financeiro já movimentado nessas novas praças soma US$ 5,8 bilhões, com a expectativa de que esse montante atinja a cifra de US$ 80 bilhões em um período de quatro anos.
O desempenho recente também é reflexo direto da entrada em vigor do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia, ocorrida em 1º de maio deste ano. Após quase três décadas de tratativas, o tratado impulsionou em 30,7% o volume das exportações nacionais destinadas ao bloco europeu entre maio e setembro, quando comparado ao mesmo intervalo de 2024. Apenas em relação ao comércio bilateral entre os dois blocos, o incremento foi superior a US$ 6 bilhões.
No acumulado de janeiro a setembro de 2025, as exportações para a União Europeia totalizaram US$ 44,17 bilhões, consolidando um crescimento de 20% sobre o desempenho dos nove primeiros meses do ano anterior. O governo federal sustenta que o ritmo de crescimento ultrapassa o setor agropecuário, com a balança comercial avançando em uma média de 10,5% mesmo diante de um cenário global de tensões geopolíticas e barreiras alfandegárias crescentes.
Durante evento realizado em Brasília, a meta para o encerramento de 2026 foi ratificada: o Brasil projeta finalizar o ciclo como o maior exportador de alimentos do mundo. Até o momento, o país soma US$ 169 bilhões em exportações no ano, situando-se apenas US$ 2 bilhões atrás dos Estados Unidos. O otimismo é sustentado pela previsão de uma safra de 366 milhões de toneladas para o período 2026/27, o que deve elevar a participação do agronegócio para 29% do PIB do setor.
O financiamento da produção rural foi apontado como peça-chave nessa trajetória. O Plano Safra, que engloba tanto a agricultura empresarial quanto a familiar, registrou um aporte de R$ 610 bilhões na atual edição, totalizando mais de R$ 1 trilhão em investimentos ao longo dos quatro anos da gestão atual. Entre as conquistas recentes, destaca-se a autorização obtida junto à China para a exportação de miúdos suínos, sinalizando a abertura de novas possibilidades para os produtores brasileiros.
Apesar do otimismo com os novos mercados, o governo reconhece desafios em outras frentes. A relação comercial com os Estados Unidos foi classificada como um ponto de atenção no momento, embora a diretriz oficial seja de manter o diálogo constante. A estratégia para os próximos meses permanece centrada na força do setor privado e no reforço da agroindústria como motor fundamental da nova fase industrial do Brasil.











