Brasília (DF) – O plenário do Senado Federal serviu de palco, nesta terça-feira (9), para uma crítica contundente da senadora Zenaide Maia (PSD-RN) ao modelo econômico que prega a retração do papel estatal. Na visão da parlamentar, a defesa do chamado Estado mínimo ignora a dura realidade da maioria dos brasileiros, que necessita da presença do governo para acessar direitos básicos como saúde, segurança e educação.
A discussão não se limitou ao plano teórico. Zenaide ironizou a postura daqueles que advogam contra intervenções governamentais, mas que buscam amparo público diante de crises financeiras. Para a senadora, a narrativa do Estado enxuto esconde uma contradição flagrante. Ela classificou o sistema atual como um capitalismo estatal peculiar, onde o setor privado clama pela redução de investimentos sociais enquanto recorre aos cofres públicos sempre que o mercado entra em colapso.
A senadora usou o Sistema Único de Saúde (SUS) como exemplo prático da necessidade de um Estado robusto. Segundo ela, é simples defender cortes orçamentários quando não se depende da rede pública para sobreviver ou quando a insegurança alimentar nunca foi uma ameaça real ao ambiente doméstico. Ela defendeu que o tamanho da estrutura estatal deve ser compatível com as necessidades de uma nação continental, atravessada por desigualdades regionais e sociais profundas.
Aproveitando o espaço, Zenaide manifestou apoio direto ao fim da escala de trabalho 6 por 1. A proposta, que ganha fôlego em diversos setores, também inclui a redução da carga semanal para 40 horas, mantendo a integridade dos salários. A medida enfrenta forte resistência de parte do empresariado, que teme um impacto negativo sobre a produtividade e os custos operacionais.
Em contrapartida, a parlamentar apresentou uma leitura distinta sobre a economia. Para ela, o tempo livre adicional concedido aos trabalhadores não deve ser visto como perda, mas como um motor para o mercado interno. A lógica é direta: ao garantir um dia extra de descanso, o Estado permite que pais e mães de família consigam se organizar e, consequentemente, consumir mais, aquecendo a economia local.
O pronunciamento reforçou a postura da senadora de contrapor a visão de mercado ao bem-estar social. Enquanto o debate sobre a jornada semanal promete gerar novos confrontos entre sindicatos e entidades empresariais, Zenaide Maia posicionou o Senado como um espaço central para questionar os dogmas do liberalismo frente aos índices de pobreza no Brasil.











