Brejetuba (ES) – A tensão que marca a reta final do segundo turno das eleições atingiu um ponto crítico em Montes Claros, no norte de Minas Gerais. Na noite da última terça-feira, a vereadora Iara Pimentel, do PT, foi atingida no rosto por um objeto enquanto participava de uma carreata organizada por seu grupo político. O impacto forçou a parlamentar a interromper sua participação no ato e ser retirada do local por uma unidade de atendimento do Samu.
De acordo com o relato do ocorrido, o carro de som utilizado pela vereadora foi alvo de um ataque coordenado que envolveu o lançamento de garrafas, tijolos e diversos outros objetos arremessados contra o veículo. Diante da gravidade da situação, Pimentel classificou o episódio como uma afronta direta aos pilares democráticos. A vereadora defendeu que a liberdade de manifestação deve ser assegurada e exigiu uma apuração rigorosa dos fatos para que os responsáveis pelo atentado sejam devidamente identificados e punidos.
Em sua fala pública após o incidente, a vereadora enfatizou que a divergência de opiniões é um direito constitucional que não pode servir de pretexto para o uso da força física ou a exposição de vidas a perigo. Para ela, a naturalização desse tipo de violência é um caminho perigoso que compromete o ambiente político. A agressão contra Pimentel ganhou repercussão na esfera parlamentar, sendo comentada pela deputada federal eleita Ana Elisa, do PT mineiro, que definiu o ataque como inadmissível, reforçando que o processo eleitoral não comporta pedras ou intimidações.
A própria deputada eleita tem enfrentado um cenário de extrema hostilidade. Ana Elisa relatou ter sido alvo de uma série de ameaças de morte e estupro, além de ataques misóginos e racistas, o que a levou a desativar seu perfil na rede social X. Com o registro de frequentes ofensas e o nível de vulnerabilidade atingido, o caso foi encaminhado à Polícia Civil de Minas Gerais e a parlamentar passou a ser acompanhada pelo Programa Estadual de Proteção.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também se manifestou sobre o episódio em Montes Claros ao exercer seu direito de voto em São Bernardo do Campo, São Paulo. Ele destacou que a convivência pacífica em meio à diversidade é o valor mais elevado do sistema democrático. Segundo Lula, a convivência entre vizinhos que possuem credos, times ou preferências políticas distintas é um exercício de cidadania que não deve degenerar em conflitos, independentemente de quem seja o candidato escolhido.
A onda de ataques se estende a outros setores. A Federação Nacional dos Trabalhadores do Judiciário Federal e do Ministério Público da União, a Fenajufe, manifestou repúdio a ameaças direcionadas a servidores da Justiça Eleitoral, cobrando medidas efetivas de responsabilização. No Distrito Federal, outro caso de violência política de gênero foi denunciado pela União Brasileira de Mulheres. A presidenta da entidade, Maria das Neves Filha, e a líder da Mocidade do Gama, Edilamar Melo, foram agredidas durante uma panfletagem no CEMI-Gama. Um homem identificado como policial militar aposentado teria arremessado uma mesa contra o grupo, resultando em um boletim de ocorrência e medidas judiciais por parte da organização.








