Natal (RN) – O cenário da corrida presidencial brasileira ganhou novos contornos neste sábado, 10 de outubro de 2026, com os dois principais candidatos seguindo estratégias distintas em regiões opostas do país. Enquanto o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cumpria agenda em Natal, no Rio Grande do Norte, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, concentrava suas atividades no estado do Rio de Janeiro.
Em um comício na capital potiguar, Lula focou seu discurso na comparação entre as gestões do PT e de seus antecessores. Ao lado da governadora Fátima Bezerra e de outros gestores aliados, o candidato à reeleição exaltou o programa Pé de Meia. Ele argumentou que a iniciativa foi fundamental para evitar a evasão escolar de 500 mil jovens do ensino médio e lançou críticas a uma suposta proposta de corte de gastos defendida por seu adversário.
Lula questionou a origem dos recursos de um eventual ajuste de R$ 250 bilhões citado por Flávio, rebatendo a ideia de que o contingenciamento pouparia programas sociais. Em sua fala, o petista afirmou que elites brasileiras historicamente direcionam cortes aos mais vulneráveis e evitam afetar banqueiros ou grandes empresários. O presidente também comentou o impacto do conflito entre Estados Unidos e Irã, atribuindo a manutenção de preços controlados de combustíveis, como gasolina, à política de subsídios da Petrobras, que visa blindar o custo de itens essenciais como leite e pão.
Simultaneamente, a quilômetros de distância, Flávio Bolsonaro percorria as ruas de São Gonçalo, na região metropolitana do Rio de Janeiro, em uma moto-carreata. Acompanhado pelo candidato ao governo fluminense, Douglas Ruas, o presidenciável do PL prometeu foco em desenvolvimento tecnológico e geração de emprego. Em um momento de forte carga emocional, Flávio declarou que, em caso de vitória, seu desejo seria receber a faixa presidencial das mãos de seu pai, Jair Bolsonaro, que cumpre pena de 27 anos de prisão por tentativa de golpe contra a democracia.
A agenda de Flávio no Rio também reservou espaço para pautas voltadas às mulheres, especialmente as chamadas mães atípicas. Ao lado da coordenadora do eixo feminino de sua campanha, Daniella Marques, o candidato prometeu transversalidade nas políticas de inclusão, garantindo que o tema permeará pastas como educação e segurança. O tema da inclusão, contudo, é um ponto de atenção no histórico do clã Bolsonaro, lembrando a suspensão, pelo STF, do decreto 10.502/2020, que na época foi criticado por especialistas sob o argumento de segregar estudantes com deficiência em escolas especiais.
Enquanto Lula busca consolidar sua base no Nordeste reforçando a continuidade de auxílios e investimentos, Flávio Bolsonaro tenta ganhar fôlego no Rio de Janeiro com um discurso focado em modernização e promessas de inclusão social. A reta final da campanha se desenha, portanto, entre o fortalecimento de políticas públicas consolidadas e a proposta de uma reestruturação administrativa centralizada no desenvolvimento econômico.










