Brasília (DF) – O presidente Luiz Inácio Lula da Silva qualificou como um ato vergonhoso a saída de Flávio Bolsonaro do território brasileiro rumo aos Estados Unidos. A declaração foi feita nesta terça-feira, dia 27, durante uma celebração de seu aniversário de 81 anos diante do Palácio da Alvorada. Para o presidente, o comportamento de seu adversário político, ocorrido menos de 48 horas após o resultado das urnas no último domingo, sinaliza uma tentativa deliberada de evitar o escrutínio das autoridades judiciais.
Ao discursar para apoiadores reunidos na residência oficial, Lula afirmou que quem decide abandonar o próprio país de maneira discreta é porque possui pendências a resolver. O presidente sugeriu que o senador deveria ter entregue seus passaportes às autoridades e criticou a ausência de uma medida preventiva por parte da Polícia Federal, dado que o parlamentar responde a inquéritos em curso. A postura adotada pelo chefe do Executivo resgatou o episódio de sua própria prisão, ocorrida em abril de 2018, quando optou por se apresentar voluntariamente às forças de segurança.
Naquela ocasião, o então ex-presidente entregou seu passaporte e permaneceu detido por 580 dias até ser libertado em novembro de 2019. O petista reforçou que aquela decisão visava desmascarar seus acusadores e atestar sua inocência, culminando em sua reeleição após o Supremo Tribunal Federal reconhecer a parcialidade do ex-juiz Sergio Moro. O atual governador eleito pelo PL, partido de Flávio Bolsonaro, é um aliado próximo do senador investigado.
O deslocamento de Flávio Bolsonaro para o exterior ganhou repercussão internacional nesta terça-feira, após o investidor e ex-secretário de Turismo do México, Simón Levy, relatar a chegada do senador aos Estados Unidos. Segundo o relato, a operação teria contado com a articulação do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio. A movimentação do parlamentar foi posteriormente confirmada pela agência de notícias Reuters.
A situação jurídica de Flávio Bolsonaro é marcada por pendências processuais. Apesar de uma decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, determinar a entrega de seus documentos de viagem à Polícia Federal, o senador não cumpriu a ordem antes de sua saída. Atualmente, ele é alvo de investigações que apuram suspeitas de lavagem de dinheiro por meio de plataformas de apostas esportivas, as bets, em um caso que envolve também o advogado Willer Tomaz.
Além das suspeitas relacionadas ao setor de apostas, o senador é investigado em um inquérito que apura o financiamento do longa-metragem Dark Horse, obra cinematográfica que narra a trajetória de seu pai. Ao finalizar sua fala aos apoiadores, o presidente reforçou a máxima de que a consciência limpa é o maior dos escudos, pontuando que quem não deve não teme.













