Washington, Estados Unidos – O vice-presidente reeleito Geraldo Alckmin classificou como equivocada a avaliação feita pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, a respeito do processo eleitoral brasileiro. Durante conversa com jornalistas na última segunda-feira, o líder norte-americano colocou em dúvida a organização do pleito, mencionando especificamente a prorrogação no horário de votação e sugerindo que o resultado teria parecer fraudado, embora tenha ressalvado que mantém uma boa relação com Luiz Inácio Lula da Silva e que não governa o Brasil.
A extensão do prazo de votação em duas horas, permitindo que os eleitores pudessem votar até as 19h do domingo, foi determinada pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Cristiano Zanin. A medida ocorreu após o registro de diversas restrições na circulação do transporte coletivo em várias cidades do país durante o segundo turno. O pleito terminou com a reeleição de Lula, que obteve mais de 64 milhões de votos, enquanto o senador Flávio Bolsonaro alcançou 59,8 milhões de sufrágios.
Em entrevista concedida à TV Vanguarda, no interior paulista, Alckmin pontuou que o chefe de Estado estrangeiro violou uma regra fundamental ao comentar sobre a política interna de outra nação. O vice-presidente também enfatizou que o Brasil serve de referência global em termos de segurança jurídica e eficiência das urnas eletrônicas, reforçando que o processo democrático envolve vitórias e derrotas decididas exclusivamente pela vontade popular.
Mesmo diante do cenário de atritos e da imposição de tarifas comerciais por parte de Washington, Alckmin destacou que as tratativas diplomáticas e comerciais com o país vizinho do hemisfério norte prosseguirão após o encerramento do processo eleitoral. O governo brasileiro tem buscado diversificar parceiros comerciais, avançando em acordos como os firmados entre o Mercosul e Singapura, além de negociações com a União Europeia e o Canadá, o que permitiu alcançar recordes nas exportações nacionais.
As declarações de Trump ocorrem em meio a um contexto de tensões políticas transatlânticas. Dias antes do pleito, parlamentares democratas americanos haviam enviado uma carta à Casa Branca para alertar contra interferências na disputa brasileira, acusando a gestão de Trump de adotar medidas de pressão — incluindo sanções tarifárias e ameaças a autoridades do Judiciário brasileiro — com o intuito de influenciar o resultado da eleição presidencial.













