La Guaira, Venezuela – O cenário na Venezuela tornou-se desolador na manhã desta sexta-feira (26). Quase 48 horas após dois terremotos atingirem a capital, Caracas, e diversas localidades próximas, o número oficial de vítimas fatais chegou a 589. A dimensão do desastre é sentida não apenas no luto das famílias, mas na escala da destruição: o governo estima que cerca de 3 mil pessoas ficaram feridas desde o início dos tremores.
A situação é agravada pela instabilidade geológica da região. Desde o impacto inicial, o solo venezuelano tremeu mais de 200 vezes em réplicas de menor magnitude. A incerteza paira sobre dezenas de milhares de lares; uma plataforma colaborativa online indica que mais de 50 mil pessoas constam como desaparecidas, um número que tensiona ainda mais as equipes de socorro.
Devastação em La Guaira
A cidade litorânea de La Guaira apresenta um dos quadros mais críticos. Em apenas algumas horas, mais de 100 edifícios colapsaram, transformando ruas em cenários de escombros e poeira. A presidente interina Delcy Rodríguez oficializou o estado de emergência para facilitar o fluxo de ajuda, enquanto o Ministério da Saúde corre contra o tempo para repor estoques de sangue nos hospitais, convocando a população para doações massivas.
A Organização das Nações Unidas (ONU) estima que o desastre pode impactar diretamente a vida de 7 milhões de pessoas. Trata-se, tecnicamente, do abalo sísmico mais severo a atingir o país desde o ano de 1900, exigindo uma resposta que ultrapassa as fronteiras venezuelanas.
A resposta do Brasil e de outros países
A ajuda internacional começou a chegar na noite de quinta-feira. O Brasil mobilizou uma missão humanitária liderada pelo presidente Lula. Na sexta-feira, uma aeronave KC-390 da Força Aérea Brasileira decolou de Guarulhos, em São Paulo, levando brigadistas da Defesa Civil, bombeiros militares e técnicos da Agência Nacional de Telecomunicações para restabelecer a comunicação nas áreas afetadas.
O suporte brasileiro ganhará reforço neste sábado, com o envio de um hospital de campanha completo, acompanhado de equipes médicas, fármacos e suprimentos hospitalares essenciais.
A coordenação global de resgate também conta com esforços significativos de outras nações. O México foi um dos primeiros a responder, mobilizando 250 socorristas, seguido por El Salvador, com 188 integrantes. A Espanha enviou um contingente de quase 100 profissionais. Além destes, a Colômbia, a República Dominicana, a Suíça e a Alemanha somaram forças ao contingente de voluntários que, de forma ininterrupta, vasculham as ruínas de Caracas e La Guaira em uma tentativa desesperada de encontrar sobreviventes.







