Ibatiba (ES) – O cenário na Venezuela tornou-se ainda mais dramático nesta sexta-feira, 26 de junho. O balanço oficial de mortos em decorrência dos dois terremotos que sacudiram o território nacional atingiu a marca de 920, conforme os dados transmitidos pelo presidente da Assembleia Nacional, deputado Jorge Rodríguez.
Passadas pouco menos de 48 horas desde que o solo tremeu intensamente a 160 quilômetros a oeste de Caracas, a situação nas áreas atingidas beira o caos. Embora o governo reconheça a presença de centenas de indivíduos ainda sob os escombros, projeções extraoficiais sugerem um abismo muito maior: a contagem de desaparecidos pode chegar aos milhares.
A dimensão da tragédia reflete-se na plataforma digital montada para centralizar as buscas, que já contabiliza mais de 50 mil nomes cadastrados por familiares em desespero. O chefe de ajuda humanitária da ONU, Tom Fletcher, validou a gravidade da estimativa, corroborando os temores de que o número final de baixas seja significativamente superior ao levantamento oficial atual.
Mobilização por socorro
A esperança, porém, ganha corpo com o início da operação de ajuda internacional. Durante todo o dia, aeronaves carregadas de suprimentos e equipes especializadas de resgate desembarcaram em solo venezuelano. O objetivo é único: encontrar sobreviventes antes que a janela de oportunidade se feche.
Jorge Rodríguez detalhou que o contingente estrangeiro já em campo soma mais de 870 profissionais. O apoio técnico especializado chega de países como Espanha, El Salvador e México, reforçando o esforço dos voluntários locais que escavam os escombros desde o primeiro momento da catástrofe.
O Brasil também se prepara para ampliar o auxílio. Durante cerimônia da Marinha realizada em Itajaí, Santa Catarina, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou que enviará o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, à região na próxima semana. A missão do ministro será diagnosticar, in loco, a melhor forma de as Forças Armadas brasileiras integrarem o esforço de socorro e reconstrução, expandindo o suporte que começou a ser enviado ainda hoje, em aviões do Corpo de Bombeiros de São Paulo.
A tensão permanece alta. Com a infraestrutura seriamente comprometida e o número de pessoas dadas como sumidas disparando a cada hora, a Venezuela lida com um dos maiores desafios humanitários de sua história recente, dependendo integralmente da eficácia e da rapidez dessa aliança internacional que começa a se consolidar.









