Guarapari (ES) – O cenário na Venezuela exige esforço máximo. Na esteira dos dois fortes terremotos que devastaram o país na noite da última quarta-feira (24), o Brasil iniciou uma operação humanitária de grande escala. Às 10h desta sexta-feira (26), um KC-390 Millennium, do Esquadrão Zeus, partiu da Base Aérea de São Paulo, em Guarulhos, carregando esperança e tecnologia para uma das maiores missões de resgate dos últimos anos.
A gravidade da situação não é pequena. As estimativas indicam que mais de 40 mil pessoas permanecem desaparecidas, presas em um labirinto de escombros que os socorristas locais lutam para desbravar. Para conter essa crise, a aeronave brasileira transporta 9 toneladas de carga pesada, projetada para a localização e salvamento de vítimas.
A força-tarefa enviada não é amadora. Trata-se de uma equipe de Busca e Resgate Urbano de nível pesado, composta por um contingente técnico de 36 bombeiros — vindos de Minas Gerais, São Paulo e Paraná — e quatro especialistas da Secretaria Nacional de Proteção e Defesa Civil. A operação, coordenada pela Agência Brasileira de Cooperação, ganha um reforço tecnológico estratégico com a presença de quatro técnicos da Anatel. O trabalho desses profissionais será focado no rastreamento de sinais de celular, uma técnica essencial para identificar onde ainda pode haver vida debaixo da destruição.
O planejamento do envio foi antecipado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ainda na quinta-feira (25). A rapidez da mobilização reflete a dimensão da tragédia que assola o país vizinho. Mas o suporte não termina aqui. O plano logístico prevê um segundo voo para este sábado (27), focado inteiramente na infraestrutura de assistência básica.
Nesta segunda etapa, a Força Aérea Brasileira transportará os componentes necessários para a montagem de um hospital de campanha. O material inclui itens vitais, como medicamentos e 100 purificadores de água equipados com painéis solares, essenciais para evitar a propagação de doenças em um ambiente onde o saneamento básico foi totalmente interrompido pela força dos tremores.
Enquanto o KC-390 cruza a fronteira, a expectativa é que a presença desses especialistas brasileiros altere o ritmo das buscas. O tempo, como sempre ocorre em catástrofes dessa magnitude, joga contra os socorristas, tornando cada hora de operação um teste de resistência para as equipes em solo.







