Brasília (DF) – Relatórios da Polícia Federal trouxeram à tona conversas que ligam o senador Flávio Bolsonaro ao banqueiro Daniel Vorcaro, proprietário do Banco Master. O foco das apurações recai sobre o financiamento da produção de Dark Horse, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. De acordo com os documentos, o parlamentar teria solicitado R$ 131 milhões para viabilizar o projeto cinematográfico, sendo que R$ 60 milhões teriam sido efetivamente transferidos pelo banco.
A troca de mensagens indica que o contato entre o senador e o banqueiro era frequente e incluía reuniões presenciais. Em agosto de 2025, uma série de mensagens sugere um encontro direto entre ambos, com direito a uso de figurinhas de Donald Trump e menções a deslocamentos. Paralelamente, o publicitário Thiago Miranda, identificado pelos investigadores como intermediário financeiro, cobrava Vorcaro sobre o atraso nas parcelas que deveriam sustentar a produção.
O temor de um prejuízo à imagem do projeto era central nas preocupações de Flávio. Em um áudio interceptado de 8 de setembro de 2025, o senador demonstrou apreensão com a possibilidade de calote envolvendo nomes de peso do cinema internacional, como Jim Caviezel e o produtor Cyrus. O parlamentar ponderou que o descumprimento dos pagamentos geraria um efeito oposto ao planejado, manchando a reputação da obra nos Estados Unidos.
As investigações também miram a movimentação de recursos para o exterior. Um Relatório de Inteligência Financeira apontou que a empresa Entre Investimentos enviou cerca de US$ 12,33 milhões ao fundo Havengate Development, sediado nos Estados Unidos. A Polícia Federal destaca que o referido fundo permaneceu sem operação por quatro anos, tornando-se ativo justamente para receber o aporte milionário destinado ao longa-metragem.
O ex-deputado Eduardo Bolsonaro também figura no radar da autoridade policial por sua suposta participação na articulação desses recursos. Uma captura de tela compartilhada pelo intermediário Thiago Miranda revela conversas de Eduardo sobre a logística de envio do dinheiro para solo americano. A PF investiga se parte dessa verba poderia ter sido utilizada para custear a permanência do ex-deputado no país.
A obtenção de dados sobre a produtora Go Up Entertainment LLC tornou-se um ponto de impasse jurídico. Michael Davis, sócio majoritário, recusou o envio direto de documentos contábeis à PF, argumentando que a solicitação deve seguir os ritos de cooperação internacional. A defesa dos irmãos Bolsonaro nega qualquer irregularidade, enquanto o caso segue como um dos eixos centrais das apurações sobre o Banco Master.











