Paris, França – O tênis brasileiro viveu um sábado de gala na capital francesa. Neste dia 6, o goiano Luiz Augusto Queiroz Miguel, amplamente chamado de Guto, cravou seu nome na história ao conquistar o título de simples masculino juvenil em Roland Garros. Foi a primeira vez que um representante do país levantou o troféu desta categoria específica no tradicional saibro de Paris.
Guto entrou na competição como o quarto melhor do mundo na categoria, mas o domínio apresentado em quadra foi de líder absoluto. Na final, ele não deu chances ao norte-americano Michael Antonius. Com um jogo sólido e agressivo, o brasileiro fechou a partida em sets diretos, marcando 6/2 e 6/4. O desempenho impecável não apenas garantiu o troféu, como impulsionou o tenista ao posto de número 1 do ranking da Federação Internacional de Tênis para atletas de até 18 anos.
O feito de Guto é monumental ao romper um longo jejum. Antes dele, apenas três brasileiros haviam alcançado uma final de simples em Roland Garros na chave juvenil, sendo que o último antecedente datava de 1967, com Luís Felipe Tavares. Agora, ele se junta a uma seleta lista de compatriotas campeões de Grand Slam juvenil, que inclui Tiago Fernandes, vencedor na Austrália em 2010; Thiago Wild, campeão do US Open em 2018; e o carioca João Fonseca, que triunfou nos Estados Unidos no ano passado.
A trajetória de Guto em solo francês exigiu resiliência. Na semifinal disputada na sexta-feira (5), ele precisou de três sets para superar o compatriota Leonardo Storck, fechando com parciais de 6/1, 3/6 e 6/2. Storck, um jovem mato-grossense de 17 anos, garantiu sua vaga na competição após uma campanha vitoriosa no torneio Junior Series, realizado em São Paulo durante o mês de abril.
Embora esteja comemorando a glória juvenil, o jovem tenista mantém a sobriedade necessária para quem ainda almeja consolidação profissional. Ocupando atualmente a 829ª posição no ranking da Associação dos Tenistas Profissionais, Guto reconhece que a transição para o circuito adulto é o próximo degrau exigente em sua carreira.
O tênis brasileiro em Paris também celebrou a performance de Victoria Barros. A potiguar de 16 anos, que figura entre as três melhores do mundo na categoria, alcançou as semifinais do torneio feminino, sendo superada pela chinesa Xinran Sun. Victoria, atual 968ª no ranking da Associação de Tênis Feminino, foi a primeira brasileira a chegar nesta etapa do torneio juvenil desde Dadá Vieira, em 1987, reforçando a excelente safra nacional nas quadras de saibro.











