Brasília (DF) – O relógio começou a rodar para Brasília nesta quarta-feira, 24 de junho. Exatamente um ano antes do início do torneio que pretende elevar o patamar do futebol feminino mundial, a capital federal se movimentou com uma série de intervenções planejadas para colocar a modalidade sob os holofotes. A agenda seguiu um rito global, com eventos simultâneos determinados pela FIFA em todas as cidades que receberão jogos da competição em 2027.
O ponto de encontro foi distribuído estrategicamente entre o Estádio Nacional Mané Garrincha, o Parque da Cidade e a Rodoviária do Plano Piloto. Ao todo, mais de 700 estudantes, todos vinculados aos centros olímpicos do Distrito Federal, tomaram as frentes dessas áreas. Enquanto no gramado do Mané Garrincha os jovens conheciam a magnitude da arena onde o mundo terá os olhos postos em breve, no Parque da Cidade o foco foi a expressão artística com pinturas temáticas e, na Rodoviária, o bom e velho “golzinho” garantiu o engajamento de quem passava pelo centro nervoso da cidade.
Laís Barufí, que coordena o comitê executivo criado pelo governo local para o mundial, explicou que a força-tarefa vai além do protocolo. O objetivo central é criar raízes e aproximar o futebol de elite da realidade de crianças e adolescentes. A estratégia busca transformar a recepção do evento em um catalisador de interesse pelo esporte.
Legado e superação
Entre os presentes, a ex-jogadora Michael Jackson trouxe o peso da história para o debate. Hoje integrando a secretaria extraordinária do Ministério do Esporte focada no torneio, ela relembrou o passado em que a prática era proibida no Brasil. Para ela, o cenário atual, onde meninas ocupam campos e quadras com naturalidade, é um triunfo conquistado a duras penas. A meta agora, segundo a ex-atleta, é garantir que o evento deixe um lastro de infraestrutura e incentivo real para as gerações que ainda vão calçar as chuteiras.
A empolgação da nova geração ficou clara nos relatos. Maria Eduarda Souza, goleira de 11 anos do Centro Olímpico da Ceilândia, confessou o desejo imediato ao pisar no Mané Garrincha: “Deu vontade de jogar naquele gramado”. A rotina de treinos da jovem já reflete a dedicação, incluindo cuidados com a alimentação para melhorar o desempenho em campo.
A percepção sobre o futebol feminino também mudou na base. Pedro Lucas Carvalho, de 13 anos, que treina no Centro Olímpico do Recanto das Emas, foi categórico ao observar a qualidade técnica das colegas. Para ele, a habilidade das meninas se iguala à dos garotos, tornando a convivência em campo não apenas natural, mas mais divertida.









