Nova Jersey, Estados Unidos – O desafio do Brasil na Copa do Mundo de 2026 começa contra uma das potências emergentes do futebol global. No próximo sábado, às 19h, o estádio em Nova Jersey será o palco do duelo entre a seleção brasileira e o Marrocos. Os africanos chegam embalados pelo título da Copa Africana de Nações e pela memória recente de 2022, quando alcançaram as semifinais no Catar e eliminaram potências mundiais no caminho.
A força marroquina tem nome e sobrenome: Achraf Hakimi. O lateral-direito, peça-chave do Paris Saint-Germain, representa um problema tático considerável para a comissão técnica brasileira. Como o Brasil tem enfrentado dificuldades crônicas de recomposição e marcação pelo setor esquerdo, a estratégia marroquina deve ser explorar as subidas de Hakimi para pressionar o ataque brasileiro, especialmente Vinicius Júnior, forçando o camisa 7 a recuar e desgastar suas energias na defesa.
Esta edição do torneio é singular. Com a expansão para 48 seleções, 16 a mais que no ciclo anterior, o continente africano vive um momento de protagonismo sem precedentes, enviando dez representantes aos gramados do Canadá, México e Estados Unidos. O pontapé inicial oficial ocorre nesta quinta-feira, às 16h, com México e África do Sul medindo forças no icônico Estádio Azteca, na capital mexicana.
O cenário para as outras nações africanas é variado. O Egito, pioneiro ao disputar o Mundial de 1934, retorna ao palco principal carregando a expectativa depositada em nomes como Mohamed Salah e Trezeguet. Já Senegal aposta na experiência de Sadio Mané para tentar avançar em um grupo extremamente competitivo, que conta com a presença da França e da Noruega. Enquanto isso, Gana revive a mística de 2010, quando chegou às quartas de final, mantendo um estilo de jogo agressivo que, em outros tempos, já foi conduzido pelo brasileiro Carlos Alberto Parreira.
A complexidade desta edição também é política. A historiadora Rachel Motta aponta que o crescimento das seleções africanas reflete a integração de jogadores da diáspora, atletas nascidos ou criados na Europa que decidiram representar as origens de suas famílias. Esse fenômeno injetou um nível técnico mais apurado nos times do continente. Entretanto, nem tudo corre em campo. O veto à entrada do árbitro somali Omar Abdulkadir Artan nos Estados Unidos trouxe à tona discussões sobre as restrições impostas pelo país-sede e os critérios de neutralidade exigidos pela FIFA, gerando questionamentos sobre a viabilidade política de sediar o maior evento do futebol mundial em solo americano.
Brasil e Marrocos dividem o Grupo C, que também inclui Escócia e Haiti. Garantir os três pontos na estreia é fundamental para a liderança da chave, o que pode definir um caminho menos tortuoso na transição para o mata-mata. O Brasil precisa provar que superou a eliminação precoce em 2022 diante da Croácia, enquanto o Marrocos entra em campo com a confiança de quem já provou que o ranking mundial pouco importa quando a bola rola.








