São Paulo (SP) – O cenário político nacional ganhou um novo capítulo na tarde deste sábado, 25 de maio, em São Paulo. O Partido Liberal (PL) oficializou o senador Flávio Bolsonaro como seu candidato à Presidência da República. A formalização ocorreu durante a Convenção Nacional da legenda, um evento que aglutinou as principais lideranças e figuras de proeminência do campo da direita no Mercado Pago Hall, localizado na Arena Pacaembu.
Embora a abertura dos portões tenha sido registrada às 8h30, o rito oficial da convenção ganhou corpo apenas próximo ao meio-dia. O pontapé inicial foi dado por Valdemar da Costa Neto, presidente nacional do partido, que conduziu as primeiras rodadas de discursos diante de um público atento. O ambiente, carregado de expectativa, serviu como palco para a apresentação da plataforma que a sigla pretende levar ao pleito.
No encerramento da agenda, Flávio Bolsonaro subiu ao palco visivelmente emocionado com as demonstrações de apoio. A rede de suporte ao candidato incluiu uma fala da cirurgiã-dentista Fernanda Bolsonaro, sua esposa, além de registros audiovisuais enviados pelos irmãos — o ex-deputado Eduardo Bolsonaro e o ex-vereador Carlos Bolsonaro. Michelle Bolsonaro, que lidera o PL Mulher, também teve sua participação garantida na convenção.
Ao discursar, Flávio Bolsonaro estabeleceu a narrativa de sua campanha: a continuidade. O senador enfatizou seu papel como o filho mais velho da família e a responsabilidade de manter vivo o legado político de seu pai. O ato contou ainda com um convidado de peso internacional: o presidente da Argentina, Javier Milei. Em uma fala de aproximadamente meia hora, o mandatário argentino centrou suas críticas ao que descreveu como ameaças impostas pelo socialismo na região.
A logística do evento não transcorreu sem percalços. Durante a fala de Milei, falhas técnicas na sincronização entre o áudio original em espanhol e a tradução projetada no telão geraram desconforto, prejudicando o acompanhamento de parte dos presentes.
A estratégia visual da convenção, contudo, ficou marcada por um movimento inusitado. Para driblar as restrições impostas pela Justiça, que mantém Jair Bolsonaro em prisão domiciliar por sua condenação no caso da tentativa de golpe de Estado, o partido utilizou uma solução tecnológica. Um vídeo gerado por inteligência artificial exibiu a imagem do ex-presidente, recorrendo a um aviso prévio para esclarecer aos espectadores que o material não se tratava de uma gravação autêntica. A medida foi desenhada meticulosamente para contornar a proibição de manifestações públicas que recai sobre o ex-chefe do Executivo, mantendo sua presença simbólica na oficialização da candidatura de seu filho.











