Brejetuba (ES) – Erros burocráticos no preenchimento de requisições médicas vêm servindo de pretexto para operadoras de saúde negarem exames preventivos ou autorizarem modalidades incorretas. Para coibir essa prática, três grandes entidades da área da saúde uniram forças para lançar um conjunto de diretrizes voltado a profissionais da medicina e clínicas.
O material leva a assinatura do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e da Sociedade Brasileira de Mastologia. A iniciativa surgiu após o recebimento de queixas sobre barreiras criadas na liberação do procedimento, fundamental para o rastreio e acompanhamento oncológico.
Desde o dia 1 de outubro, as operadoras de saúde estão submetidas à obrigatoriedade de fornecer o exame em formato digital para qualquer paciente com indicação médica, sem restrições baseadas em faixa etária ou gênero. Contudo, falhas na redação dos documentos médicos abriam margem para que os pedidos fossem interpretados de forma equivocada, resultando na realização da mamografia convencional em vez da digital.
A recomendação central do guia é direta. Sempre que a tecnologia digital for necessária, o profissional deve escrever explicitamente o termo exato na solicitação, evitando termos genéricos. Além disso, o documento precisa especificar a finalidade clínica do procedimento, detalhando se o objetivo é o rastreamento rotineiro, a investigação de sintomas, o controle de alterações nas mamas ou o monitoramento terapêutico.
As exigências não recaem apenas sobre os consultórios. Clínicas de imagem e empresas de planos de saúde também precisam adaptar seus formulários internos, sistemas informatizados e rotinas de liberação para absorver a nova regra normativa.
A mudança regulatória eliminou o principal obstáculo que existia na rede suplementar. Antes da alteração promovida pela Agência Nacional de Saúde Suplementar, a cobertura obrigatória para a tecnologia digital ficava restrita a mulheres na faixa dos 40 aos 69 anos.
Embora a modalidade tradicional já contasse com cobertura ampla, a versão digital acumulava barreiras de idade e oferecia vantagens técnicas expressivas. As imagens geradas são armazenadas digitalmente, o que simplifica o histórico clínico das pacientes e permite análises comparativas mais precisas por múltiplos especialistas.











