Jerusalém, Israel – Cerca de 7 milhões de israelenses comparecem às urnas nesta terça-feira (27) em um pleito que marca o primeiro processo eleitoral desde o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023. O cenário político é dominado por nomes de linha-dura na área de segurança, com o atual primeiro-ministro Benjamin Netanyahu enfrentando uma concorrência acirrada para estender seus 19 anos de comando à frente do partido Likud.
Dois principais opositores surgem como as maiores ameaças ao governo de Netanyahu: o ex-chefe do Estado-Maior das Forças Armadas, Gadi Eisenkot, à frente do partido Yashar, e Naftali Bennett, ex-primeiro-ministro que lidera a coalizão Juntos. Embora os três compartilhem uma visão pragmática e rígida sobre a necessidade de desarmar o Hamas e a rejeição à criação de um Estado palestino, a disputa se diferencia pela postura quanto à democracia interna e à gestão de assentamentos na Cisjordânia.
A tensão central da campanha orbita a figura de Netanyahu, acusado por Eisenkot de negligenciar avisos prévios sobre a ofensiva do Hamas e de falhar no resgate de reféns, além de críticas sobre a condução da operação militar em Gaza. O atual premiê refuta tais alegações. Analistas observam que, enquanto os adversários mantêm um perfil de segurança similar, Netanyahu se distingue por um projeto que críticos apontam como autoritário, visando restringir a autonomia do Judiciário em favor do Executivo.
A questão dos assentamentos na Cisjordânia, incentivada por alas radicais da atual coalizão, também divide os contendores. A expectativa é que, caso a oposição vença, haja uma postura mais rigorosa quanto à expansão na Área B, área proibida pela legislação local, potencialmente reduzindo a violência crescente na região. Paralelamente, há uma possibilidade de mudança na diplomacia, com uma inclinação maior para o diálogo com Catar e Egito, países com os quais Netanyahu tem evitado negociações diretas.
O sistema parlamentar israelense impõe um desafio logístico e político significativo aos vencedores. Com 120 assentos no Knesset, a formação de uma maioria para compor o novo gabinete exige alianças complexas. Existe uma forte incerteza sobre como os partidos árabes se comportarão, dado que, publicamente, as legendas favoritas descartaram coalizões com esses grupos. Especialistas não descartam cenários de impasse, nos quais partidos árabes poderiam optar por votar contra Netanyahu sem integrar formalmente um novo governo.
O ambiente desta eleição é reflexo direto dos últimos meses. Desde o ataque de 7 de outubro, que resultou em 1,2 mil mortes e centenas de reféns, a resposta militar em Gaza causou um nível de destruição sem precedentes e mais de 75 mil mortes, gerando críticas internacionais contundentes. O país também atravessa um período de alta volatilidade regional, com envolvimento em conflitos no Líbano, ataques na Síria e tensões diretas com o Irã. Por serem votos em cédulas de papel, a contagem oficial só deverá ser concluída no final desta quarta-feira (28), quando o destino político do país começará a ser definido.











