Salvador (BA) – Um cenário de frota reduzida e reclamações de eleitores culminou, neste domingo (25), na fiscalização de quatro garagens de transporte público em Salvador. O Procon da Bahia contabilizou 370 ônibus retidos nos pátios das empresas, impedindo que os veículos circulassem para atender à população que tentava se deslocar aos locais de votação. A situação foi exposta pelo secretário de Justiça e Direitos Humanos do estado, Felipe Freitas, que classificou o bloqueio como um entrave direto ao exercício da cidadania em pleno dia de pleito.
A reação do Tribunal Regional Eleitoral da Bahia (TRE-BA) foi imediata. O presidente do órgão, Maurício Kertzman Szporer, emitiu uma determinação exigindo o restabelecimento total da frota, com a manutenção dos parâmetros de frequência de dias úteis e a garantia de gratuidade integral para todos os passageiros. Em uma medida extrema, o magistrado ordenou à Superintendência Regional da Polícia Federal a prisão do secretário municipal de Mobilidade de Salvador, Pablo Souza, sob a justificativa de obstrução ao direito de voto.
Desde as primeiras horas da manhã, relatos sobre a escassez de coletivos e o aumento do tempo de espera nos pontos de ônibus circulavam pela capital baiana, gerando tensão entre os eleitores. Fiscais estaduais percorreram as garagens indicadas por denúncias e comprovaram que centenas de veículos, em plenas condições de operação, permaneciam estacionados enquanto a demanda nas ruas crescia. O governo estadual destacou que a vistoria foi decisiva para expor que o desabastecimento das linhas não era uma falha técnica, mas uma ausência deliberada de circulação.
Diante do impasse jurídico e da mobilização estadual, o governador da Bahia, Jerônimo Rodrigues, posicionou a estrutura de segurança pública para intervir. O chefe do Executivo estadual colocou a Polícia Militar e a Secretaria da Segurança Pública à disposição para uma eventual contingência: caso houvesse a necessidade de pessoal habilitado para operar os coletivos, policiais com carteira de motorista categoria D poderiam ser acionados para assumir os volantes e garantir que os eleitores não fossem privados de votar.
A Prefeitura de Salvador reagiu às pressões e à ordem judicial emitindo um posicionamento oficial logo após a decisão do TRE-BA. A administração municipal afirmou ter expedido a instrução para que a totalidade dos ônibus fosse liberada das garagens para as vias públicas. O comunicado ressaltou que a ordem de saída prevaleceria independentemente da existência de qualquer adesivação nos veículos, ainda que tal material pudesse ser enquadrado como propaganda eleitoral irregular, priorizando, naquele momento, a viabilização da logística de transporte para o pleito.









