Brasília (DF) – A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) reiterou, nesta quinta-feira (15), a inexistência de qualquer ingerência ou responsabilidade técnica sobre o erro no áudio identificado durante a exibição do programa eleitoral do candidato Flávio Bolsonaro (PL), ocorrido na segunda-feira (12). A manifestação ocorre após o político protocolar uma notificação na Justiça Eleitoral apontando supostas falhas deliberadas da direção da estatal, pedido que culminou, no mesmo dia, em um parecer favorável ao arquivamento pelo Ministério Público Eleitoral.
De acordo com a empresa, o problema técnico que afetou a transmissão não foi um evento isolado direcionado a um candidato, mas uma ocorrência generalizada que impactou todas as emissoras responsáveis pela retransmissão do horário eleitoral gratuito. O roteiro operacional do sinal segue normas estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE), sendo a gestão das mídias realizada por um consórcio de emissoras, conforme prevê a Resolução TSE nº 23.610/2019 e a organização da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (ABERT).
A EBC detalhou que a responsabilidade pela execução do sinal no momento da falha estava sob a tutela da TV Senado. O fluxo de trabalho, que envolve o download de arquivos de vídeo, a montagem em ilha de edição e a exportação do material final, foi conduzido por um profissional da TV Câmara. A estatal enfatiza que, sob o plano de mídia vigente, cabe ao chamado pool de emissoras o recebimento e a distribuição do sinal para todo o país, não havendo participação da EBC no controle técnico direto dessa tarefa específica.
No parecer que sugere o encerramento do caso, o promotor eleitoral Paulo Roberto Binicheski argumentou que especulações políticas ou vínculos institucionais não substituem a necessidade de provas mínimas de má-fé. O magistrado reforçou que erros de ordem técnica ou operacional em equipamentos e softwares não devem ser automaticamente convertidos em infração penal, sob o risco de criminalizar acidentes fortuitos decorrentes da operação complexa de transmissão.
A nota da empresa também rebateu críticas direcionadas à sua diretora-presidente, Antonia Pellegrino. A EBC defendeu a trajetória profissional da executiva, graduada em Administração Pública e roteirista premiada, destacando sua gestão iniciada em abril deste ano. Em um tom de contestação, a empresa classificou as acusações recentes como um movimento de violência política de gênero, argumentando que a tentativa de deslegitimar sua atuação profissional baseia-se em associações pessoais externas ao ambiente técnico da companhia. A estatal mantém sua posição de que não houve qualquer irregularidade por parte de seus quadros.











