Vitória (ES) – Embora o câncer de mama seja amplamente associado ao universo feminino, a doença também atinge homens, que frequentemente chegam ao diagnóstico em fases mais críticas. Dados colhidos entre 2020 e 2023 revelam que, enquanto a maioria dos casos é detectada em estágios que exigem maior atenção, o público masculino apresenta uma proporção ligeiramente maior de quadros com metástase logo na descoberta da enfermidade.
O monitoramento aponta que 62,29% dos casos masculinos foram identificados nos estágios III ou IV, quando o tumor já está mais disseminado. Entre as mulheres, a taxa nos mesmos estágios avançados foi de 61,57%. O ponto de maior alerta reside no estágio IV, caracterizado pela metástase: 29,95% dos homens diagnosticados já se encontravam nesta situação, em comparação com 26,42% das mulheres. A disparidade torna-se ainda mais clara nos estágios iniciais, onde a detecção precoce é menos frequente entre eles.
Especialistas explicam que a demora no diagnóstico masculino está ligada, em grande parte, à crença de que o câncer de mama não acomete o homem. Essa barreira cultural faz com que muitos retardem a procura por atendimento ao notar alterações. Além disso, devido à menor quantidade de tecido mamário, tumores pequenos podem alcançar rapidamente estruturas sensíveis, como a pele ou a musculatura torácica. Sinais como caroços, secreções mamilares — especialmente se contiverem sangue — ou mudanças no mamilo exigem investigação imediata.
O tratamento varia conforme a extensão da patologia. Quando a doença é localizada, a cirurgia permanece como a intervenção principal, frequentemente complementada por terapias hormonais, quimioterapia ou radioterapia. Técnicas modernas de radiação têm possibilitado tratamentos mais precisos, preservando tecidos saudáveis ao redor do tumor. O prognóstico, contudo, é variável: quando o câncer é identificado ainda restrito à mama, a taxa de sobrevida em cinco anos pode superar os 95%.
O cenário nacional para os próximos anos é de atenção redobrada. Entre 2026 e 2028, estima-se que o Brasil registre cerca de 781 mil novos casos de câncer anualmente, sendo que aproximadamente 10% deste total corresponderá ao câncer de mama. Embora os homens representem menos de 1% dos registros dessa neoplasia, o impacto da letalidade em casos negligenciados reforça a necessidade de conscientização.
Paralelamente, o cuidado entre as mulheres também passa por atualizações. Uma análise focada em pacientes jovens, de até 39 anos, mostrou que apenas 14,4% foram diagnosticadas nos estágios iniciais. Esse dado serve como um lembrete de que, mesmo fora da faixa etária de rastreamento habitual via mamografia, que começa aos 40 anos, qualquer alteração persistente nas mamas deve ser levada a um médico, independentemente da idade ou do sexo.













