Vitória (ES) – Uma nova página na internet iniciou, nesta semana, a distribuição de ativos digitais vinculada à divulgação de mensagens de apoio ao candidato Flávio Bolsonaro, do PL. O site promove a entrega de criptomoedas para usuários que compartilham conteúdos favoráveis ao político, associando a estratégia a um suposto esforço de auxílio financeiro para a conclusão de uma residência em Kampala, Uganda, destinada ao grupo Hyperkids.
O grupo Hyperkids, composto por crianças e adolescentes conhecidos por suas performances de dança nas redes sociais, acumula quase 13 milhões de seguidores. Em um dos vídeos difundidos pelo portal, os jovens mencionam a criação de um novo token com o objetivo de apoiar o Brasil. Na mesma gravação, citam nominalmente o deputado Nikolas Ferreira, o empresário Pablo Marçal e o próprio Flávio Bolsonaro, que disputa a presidência da República.
Especialistas apontam que a prática pode esbarrar em restrições legais severas. O Artigo 57-C da Lei das Eleições, vigente desde 1997, proíbe expressamente a veiculação de propaganda eleitoral paga na rede mundial de computadores, permitindo apenas o impulsionamento de conteúdos quando claramente identificados e contratados exclusivamente por coligações, partidos ou representantes oficiais. O pesquisador Paulo Rená, do Instituto de Referência em Internet e Sociedade, ressalta que a promessa de vantagem econômica em troca de engajamento eleitoral configura uma ilegalidade evidente.
Para o especialista, o fato de a iniciativa não possuir qualquer conexão geográfica ou temática com causas nacionais levanta suspeitas de que o modelo tenha sido desenhado para contornar a fiscalização e a legislação eleitoral brasileira. O site em questão se defende afirmando que a distribuição dos tokens ocorre de maneira independente e que o projeto não possui qualquer vínculo oficial ou endosso por parte de partidos ou campanhas políticas, classificando a ação como distinta de doações eleitorais.
Em resposta à circulação do conteúdo, a campanha de Flávio Bolsonaro declarou total desconhecimento sobre a autoria da plataforma. O candidato negou qualquer contratação de serviços para impulsionar sua imagem por meio de produtos ou perfis de terceiros e informou que acionará as instâncias judiciais — nas esferas cível, criminal e eleitoral — para exigir a remoção imediata da página da internet.
O episódio ganhou desdobramentos formais nesta quinta-feira. A coligação Brasil Pronto pra Mais, que sustenta a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, encaminhou uma denúncia à Procuradoria-Geral Eleitoral. O documento requer a identificação dos responsáveis pela página e solicita a abertura de uma investigação sobre potenciais crimes eleitorais, incluindo o uso de estruturas comerciais para o aliciamento de eleitores e a realização de propaganda irregular, conforme prevê o Código Eleitoral.











