Bangcoc, Tailândia – O ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, cumpre agenda oficial no Sudeste Asiático nesta semana com o objetivo central de elevar o status do Brasil na Associação de Nações do Sudeste Asiático (Asean). O país, que detém desde 2022 a posição de parceiro de diálogo setorial, articula sua entrada no grupo como parceiro de diálogo pleno. A medida visa fortalecer os laços com o bloco, que atualmente representa o quinto principal parceiro comercial brasileiro, atrás apenas de China, União Europeia, Estados Unidos e Mercosul.
A ofensiva diplomática ganha contornos de urgência diante da necessidade de diversificar a pauta exportadora frente às pressões tarifárias impostas pelo governo dos Estados Unidos. Atualmente, 12 nações ou blocos possuem o status de parceiro pleno na Asean, mas nenhum deles pertence à América Latina. A expectativa do governo é obter o reconhecimento na cúpula marcada para novembro, nas Filipinas, ou, alternativamente, a partir de janeiro de 2027, quando Singapura assume a presidência do colegiado asiático.
O volume de trocas entre o Brasil e os membros da Asean — composto por Indonésia, Malásia, Filipinas, Singapura, Tailândia, Vietnã, Timor Leste, Mianmar, Brunei, Camboja e Laos — cresceu dez vezes entre 2003 e 2025, saltando de 3 bilhões para 38 bilhões de dólares, com uma expansão anual média de 12%. Dados do período de 2023 a 2025 revelam que as exportações brasileiras para os cinco maiores mercados da Asean atingiram 68,5 bilhões de dólares, equiparando-se ao volume enviado a tradicionais parceiros do G7, como Alemanha, Itália, Reino Unido, Japão e França.
A parada inicial do chanceler ocorreu em Singapura, o segundo maior parceiro comercial do Brasil na Ásia. Em conferência com lideranças locais, Vieira reforçou a capacidade do Brasil em preencher a lacuna latino-americana na Asean, enfatizando uma política de não exclusão: o país se recusa a restringir suas parcerias estratégicas. O fluxo comercial com Singapura somou 10,7 bilhões de dólares no ano passado, uma alta de 23% em relação a 2024, reforçada pelo recente acordo de livre comércio entre o Mercosul e a cidade-estado.
Na Tailândia, onde esteve entre os dias 8 e 10 de setembro, o ministro Mauro Vieira tratou da reabertura do mercado tailandês para a carne bovina brasileira, interrompida em 2024. A agenda em Bangkok também focou em investimentos, inovação e cooperação de segurança. Um ponto sensível do diálogo foi o enfrentamento ao crime organizado transnacional, especificamente o combate ao tráfico de pessoas e fraudes cibernéticas, temas que envolvem o resgate de brasileiros submetidos a condições de trabalho análogas à escravidão na região.
Para o chanceler, a aproximação com o Sudeste Asiático não é apenas comercial, mas uma estratégia de autonomia geopolítica. Em artigo publicado no Bangkok Post, o ministro argumentou que o estreitamento de laços entre a América Latina e o Sudeste Asiático oferece uma voz mais robusta ao Sul Global em um cenário marcado por tensões e protecionismos. Com um fluxo comercial de 5,7 bilhões de dólares com o Brasil em 2025, a Tailândia permanece como o principal parceiro brasileiro na região caribenha e latino-americana.










