Jackson Hole, Estados Unidos – O mercado financeiro fechou a semana sob o impacto de uma postura mais austera vinda do Federal Reserve. A moeda norte-americana encerrou a sessão de sexta-feira (28) cotada a R$ 5,196, uma valorização de 0,62% que reflete o temor de investidores com a política monetária dos Estados Unidos. Durante o dia, o dólar chegou a tocar a marca de R$ 5,23, impulsionado pelas falas de Kevin Warsh, presidente do Fed, durante o simpósio de Jackson Hole.
Em sua primeira participação oficial no evento, Warsh foi enfático: o banco central estadunidense ainda possui um longo caminho pela frente caso a inflação subjacente não retorne à meta de 2% de maneira clara e célere. O recado gerou um efeito imediato nas taxas de juros dos títulos do Tesouro dos EUA, especialmente nos papéis de dois anos, que atingiram um rendimento de 4,35%. Com o cenário de juros mais altos à vista, o apetite por risco diminuiu, pressionando as bolsas em Nova York.
O Nasdaq liderou as perdas entre os índices norte-americanos, com queda de 0,52%, enquanto o Dow Jones recuou 0,02% e o S&P 500 fechou em baixa de 0,25%. O índice DXY, que mede o desempenho do dólar frente a seis moedas globais, encerrou o dia em alta de 0,57%. Apesar da disparada de sexta-feira, que garantiu um avanço semanal de 1,06%, a divisa ainda acumula uma queda de 5,34% ao longo de 2026.
No Brasil, o cenário doméstico apresentou uma dinâmica distinta, marcada pela cautela com a economia interna. Dados do Caged revelaram que o país criou 58.568 vagas formais em julho, um número aquém das expectativas de instituições financeiras. O resultado reforçou a leitura de que o mercado de trabalho pode estar perdendo ritmo, o que consolidou as apostas de que o Banco Central brasileiro deve reduzir a Taxa Selic em setembro, provavelmente com um corte de 0,25 ponto percentual, levando a taxa a 13,75% ao ano.
Apesar da pressão externa, a Bolsa brasileira demonstrou resiliência. O Ibovespa cravou sua oitava sessão consecutiva de ganhos, encerrando o pregão aos 175.664,62 pontos, com uma valorização de 0,30%. Embora tenha operado acima dos 176 mil pontos em diversos momentos do dia, o índice perdeu força após a repercussão das declarações de Warsh. Mesmo assim, o saldo semanal é positivo em 2,71%, mantendo a perspectiva de recuperação após as quedas observadas no início do mês.
O fluxo de capitais na B3 mostra que os investidores estrangeiros tentam retomar posições, registrando um saldo positivo de R$ 1,3 bilhão nos últimos quatro pregões. No entanto, o acumulado de agosto permanece negativo, com uma saída líquida de R$ 18,7 bilhões. A disparidade entre as taxas de juros no Brasil, atualmente em 14%, e nos Estados Unidos, que orbitam entre 3,50% e 3,75%, segue como o principal cabo de guerra que dita o fluxo de recursos internacionais e a volatilidade do câmbio nos próximos meses.











