Gana, Gana – A Petrobras deu o primeiro passo oficial para ampliar sua presença no mercado africano. Na última sexta-feira (21), a estatal informou ao mercado que foi autorizada pelo Ministério de Energia e Transição Verde de Gana a iniciar negociações diretas para a exploração de quatro blocos offshore localizados na Bacia de Keta. O movimento integra uma estratégia mais ampla da companhia, que tem buscado novas fronteiras geográficas para garantir a reposição de suas reservas de óleo e gás.
O processo encontra-se, por ora, na etapa de tratativas contratuais. A aprovação das autoridades ganenses permite que a petroleira brasileira discuta os termos específicos para operar em áreas marítimas ainda inexploradas. Atualmente, a empresa já mantém uma rede de parcerias operacionais em solo africano que inclui a Namíbia, São Tomé e Príncipe e a África do Sul, onde atua em consórcios com gigantes globais como Shell e TotalEnergies.
A presença da Petrobras além das fronteiras brasileiras não se limita ao continente africano. A estatal mantém ativos e parcerias em vizinhos sul-americanos, como Argentina, Bolívia e Colômbia, além de manter operações nos Estados Unidos. Recentemente, a empresa também formalizou um acordo de cooperação técnica com a mexicana Pemex, voltado para o desenvolvimento de projetos no Golfo do México, reforçando o esforço de internacionalização.
Essa busca por novos campos ocorre em um período de transição estratégica. Internamente, a Petrobras mantém foco intenso na Margem Equatorial, localizada no litoral norte do Brasil. A região é tratada como a grande promessa para o futuro da companhia, com potencial de se tornar o próximo eixo de produção de larga escala, sucedendo a relevância que o pré-sal adquiriu nos últimos anos — atualmente responsável por mais de 83% da produção própria da empresa.
A urgência por novas descobertas é baseada em projeções técnicas. De acordo com os dados correntes, o pré-sal brasileiro deve atingir seu ponto máximo de extração por volta de 2034, entrando em declínio logo em seguida caso não ocorra uma expansão significativa das reservas comprovadas. Como parte desse esforço, a companhia detalhou esta semana os achados iniciais no poço Morpho, situado no bloco BM-FZA-59, a 175 quilômetros da costa do Oiapoque, no Amapá.
As atividades no poço Morpho, localizado a cerca de 500 quilômetros da foz do Rio Amazonas, seguem em fase de perfuração e coleta de dados. A empresa realiza, simultaneamente, análises laboratoriais para determinar a qualidade do óleo extraído e a capacidade total dos reservatórios encontrados na região, elementos cruciais para definir a viabilidade econômica de longo prazo daquela que é considerada a nova fronteira petrolífera do Brasil.









