Santa Cruz de la Sierra, Bolívia – O Tribunal Supremo de Justiça da Bolívia determinou que as investigações sobre o atentado sofrido pela ativista Nadia Beller, de 33 anos, não correrão sob sigilo. A decisão foi anunciada pelo presidente do órgão, Rómer Saucedo, após um pedido formal da própria vítima. O objetivo da medida é garantir que todas as partes tenham acesso total ao inquérito e assegurar a transparência do processo, que apura a tentativa de homicídio ocorrida na última segunda-feira (17) em Santa Cruz de la Sierra.
Na ocasião, Beller foi alvejada por disparos de arma de fogo enquanto estava na calçada de um hotel. Segundo registros do Ministério Público, ela foi atingida por três tiros, localizados no pescoço, no tórax e no braço direito. Enquanto se recupera em uma unidade de saúde, a advogada acusa o argentino Fernando Cerimedo, conselheiro do governo de Rodrigo Paz, de ter orquestrado o crime. Ela relata que foi ao local após ser incentivada pelo suspeito, que teria garantido a existência de escolta e segurança no encontro.
Cerimedo, que já atuou como estrategista de campanha do presidente argentino Javier Milei, foi detido na terça-feira (18) no Aeroporto Internacional Viru Viru quando tentava deixar o país rumo à Argentina. O fiscal-geral do Estado, Roger Mariaca Montenegro, afirmou que a promotoria solicitará a prisão preventiva do conselheiro pelo prazo de 180 dias, sob a acusação de tentativa de feminicídio. As autoridades não descartam a existência de outros mentores intelectuais por trás do atentado.
O presidente da Bolívia, Rodrigo Paz, manifestou-se por meio de suas redes sociais na quarta-feira (19), reforçando a necessidade de uma apuração independente e exaustiva sobre o caso. Ele assegurou que a vítima receberá as garantias de segurança necessárias e defendeu que o processo ocorra sem interferências. A defesa de Cerimedo, por outro lado, nega qualquer envolvimento do cliente no ataque, classificando o episódio como uma perseguição política.
O nome de Fernando Cerimedo possui repercussão internacional, sendo frequentemente associado a movimentos de extrema-direita na América Latina. No Brasil, o consultor ganhou notoriedade após o segundo turno das eleições de 2022, quando divulgou um vídeo sem provas alegando fraudes no sistema de votação. Na época, a postura do argentino foi combatida pelo Tribunal Superior Eleitoral, que ordenou a remoção do conteúdo. Posteriormente, a Polícia Federal brasileira indiciou Cerimedo por suspeita de tentativa de abolir o Estado Democrático de Direito, em meio às investigações sobre os atos do 8 de janeiro de 2023.
Atualmente, o foco das autoridades bolivianas permanece na coleta de provas que confirmem a autoria intelectual do crime, enquanto a vítima sustenta a narrativa de que o atentado está ligado a uma articulação de informações sensíveis envolvendo o ex-presidente Evo Morales. O Tribunal de Justiça de Santa Cruz de la Sierra recebeu ordens expressas para priorizar o caso, com o dever de responder imediatamente a qualquer requerimento apresentado pelos promotores responsáveis pela condução do inquérito.








