São Paulo (SP) – No dia seguinte ao maior recorde de vacinação desde o início da mobilização em agosto, os moradores da capital paulista que tentaram se proteger contra o sarampo no sábado, dia 8, depararam-se com um cenário de lentidão. A busca expressiva concentrou-se em uma rede altamente reduzida de atendimento de fim de semana. Das 512 unidades de saúde que operam regularmente nos dias úteis, apenas 62 abriram as portas para a campanha, gerando gargalos em quase todas as regiões da cidade.
Por volta das 13h, o monitoramento oficial da administração municipal mostrava que 57 desses postos operavam com lentidão extrema e grande acúmulo de pessoas. Em contrapartida, a situação era um pouco mais branda na AMA UBS Pari, na zona leste, e na AMA UBS Massagista Mário Américo, localizada na Casa Verde, zona norte, ambas registrando filas de tamanho médio. O menor tempo de espera estava na AMA UBS Jardim São Jorge Paulo Eduardo Elias, na rodovia Raposo Tavares, zona oeste. Outras duas unidades, Fazenda do Carmo e Vila Medeiros, apareciam no sistema como sem fila, mas os dados estavam desatualizados desde as primeiras horas da manhã.
A distribuição geográfica dos postos abertos no sábado revelou uma disparidade no atendimento. Enquanto a zona leste concentrava o maior contingente de locais disponíveis, com 24 unidades, e a zona sul contava com 17, a zona norte dispunha de 16 postos e a zona oeste apenas de 5. O centro da cidade permaneceu sem nenhuma unidade em funcionamento durante todo o dia, forçando o deslocamento de moradores para outros bairros.
Na AMA UBS Integrada Água Rasa Dr. Marcos Andrade Corsato, localizada em uma área de transição entre a Mooca e o Tatuapé, o fluxo de pessoas transbordou para a calçada já no final da manhã. Quem chegava perto do meio-dia precisava encarar mais de uma hora de espera em pé para alcançar a sala de vacinação. Foi o caso da dona de casa Ana Beatriz Chacur, de 42 anos, que enfrentava a fila acompanhada do marido, de 47 anos, e de suas filhas gêmeas de 12 anos.
A família decidiu buscar o imunizante após receber alertas do colégio das adolescentes e acompanhar notícias nas redes sociais. Segundo Ana Beatriz, a escola enviou um comunicado sugerindo fortemente a dose de reforço, uma alternativa encontrada pela instituição, já que não há obrigatoriedade legal para a vacina no ambiente escolar. Com todos em idade elegível para receber a dose, o grupo optou pelo sábado por ser o dia em que sabiam que a unidade da Água Rasa estaria de plantão.
Logo atrás, no fim da mesma fila, o estudante João Silva, de 21 anos, monitorava o avanço lento das pessoas. Para ele, o processo de localização do posto aberto não foi difícil graças às pesquisas rápidas na internet, onde também soube dos primeiros sinais de um surto de sarampo se aproximando da capital. O jovem justificou a pressa de ir ao posto no fim de semana como uma medida preventiva essencial antes que a circulação do vírus ganhasse ainda mais força na metrópole.
O movimento intenso do sábado reflete a aceleração da campanha na véspera. Na sexta-feira, dia 7, o município registrou sua maior marca diária de imunização desde o início da mobilização, em 3 de agosto. Foram aplicadas 84.632 doses específicas contra o sarampo, além de outras 24.952 vacinas diversas para atualização vacinal, totalizando um recorde de 109.584 aplicações em apenas 24 horas.











