Brasília (DF) – Quando as urnas eletrônicas forem ligadas no país em outubro de 2026, o destino do voto de milhões de brasileiros estará sob os cuidados de cidadãos comuns atuando voluntariamente como mesários nas seções eleitorais. Eles formam a linha de frente que viabiliza a votação, cuidando de todo o processo desde a abertura dos portões até a emissão dos boletins de urna.
Foi justamente a curiosidade que atraiu a bancária Carolina Carfero, de 45 anos, para essa engrenagem. Hoje, acumulando a experiência de três eleições no currículo, ela atua de forma voluntária e já subiu um degrau na hierarquia das seções.
— Gosto de participar do processo eleitoral. É bastante cansativo, mas também é muito bom — relata Carolina, que trabalha no Banco do Brasil. Na última eleição, ela assumiu a presidência da mesa receptora, o que a obrigou a comparecer ao local de votação um dia antes para organizar a sala. Mesmo com a carga de trabalho extra, ela garante que vale a pena reservar o fim de semana para a tarefa.
Essas equipes, conhecidas tecnicamente como mesas receptoras de votos, operam sem vínculo profissional com a Justiça Eleitoral. Cada mesa é composta por um presidente — a autoridade máxima do recinto, responsável por manter a ordem e, se preciso, acionar a força policial —, dois mesários adicionais e um secretário encarregado de lavrar a ata do dia. A presença dessas pessoas funciona como um selo de transparência. Para a assessora-chefe de Gestão Eleitoral do Tribunal Superior Eleitoral, Sandra Damiani, o olhar atento do cidadão comum sobre a engrenagem das seções é o que de fato viabiliza e garante o caráter universal da votação.
Na prática, o grupo confere os documentos do eleitorado, organiza as filas, colhe as assinaturas e orienta quem tem dúvidas diante da urna. Para garantir que nada saia do script, todos passam por treinamentos específicos antes do pleito, presenciais ou virtuais, que devem ser refeitos a cada ano de eleição.
Como fazer parte em 2026
Qualquer brasileiro maior de 18 anos em situação eleitoral regular pode se candidatar para o trabalho voluntário. A lei, no entanto, barra perfis específicos para evitar conflitos de interesse. Não podem participar candidatos ou seus parentes de até segundo grau (inclusive cônjuges), integrantes de diretorias de partidos ou federações partidárias, autoridades públicas, policiais, ocupantes de cargos de confiança no Executivo e profissionais do serviço eleitoral.
A inscrição é simples e pode ser feita pelo aplicativo e-Título, nos portais dos Tribunais Regionais Eleitorais ou diretamente no cartório eleitoral da zona de inscrição do eleitor. Após o cadastro, o órgão avalia as vagas disponíveis e faz a convocação.
Compensações e direitos
O esforço de quem colabora com o dia da eleição é recompensado por lei. Cada dia trabalhado, incluindo os de treinamento, gera dois dias de folga no emprego regular. Carolina, por exemplo, conta que seu empregador assegura o direito sem qualquer empecilho.
Os voluntários também recebem um auxílio-alimentação de R$ 65 por turno de votação. A atividade pode ser utilizada ainda como critério de desempate em concursos públicos que tragam essa previsão em edital, além de contar como horas complementares para estudantes universitários, conforme as regras de convênio de cada estado.












