Guarapari (ES) – Uma combinação de tensões no Oriente Médio, atratividade dos juros domésticos e a busca global por ativos descontados desenhou o cenário financeiro nesta quarta-feira (22). O principal reflexo desse arranjo foi a queda do dólar comercial, que recuou 0,42% e fechou cotado a R$ 5,053. Trata-se do menor valor registrado desde 2 de junho, consolidando a terceira sessão seguida de perdas para a moeda norte-americana, que já acumula uma desvalorização de 7,95% no ano.
O movimento cambial ganhou força após a abertura do mercado de ações. Embora a moeda tenha ensaiado uma alta nas primeiras horas de negócios, a tendência se inverteu rapidamente com a entrada expressiva de capital estrangeiro e o fortalecimento de divisas de outros países emergentes. O apetite dos investidores de fora foi alimentado pela persistente diferença entre as taxas de juros do Brasil e dos Estados Unidos, tornando os ativos locais mais atraentes.
Pressão positiva do mercado de commodities
A disparada no preço do petróleo deu suporte extra ao real. Como o Brasil atua como exportador líquido do produto, a valorização da commodity melhora diretamente as projeções para a balança comercial. O barril do tipo Brent para setembro subiu 3,36%, negociado a US$ 94,07, enquanto o WTI avançou 2,95%, para US$ 86,83.
O mercado de energia reagiu à escalada das tensões geopolíticas entre Washington e Teerã, além do risco latente de bloqueios em pontos cruves de navegação, como os estreitos de Ormuz e Bab-el-Mandeb. Declarações de autoridades iranianas e ameaças de rebeldes Houthi no Iêmen sobrecarregaram o lado da oferta, neutralizando o efeito do aumento inesperado nos estoques de petróleo dos Estados Unidos na última semana.
Nem mesmo fatores de atrito comercial, como a imposição de uma tarifa americana de 25% sobre determinados produtos brasileiros e as medidas de compensação anunciadas pelo governo federal, conseguiram abalar o câmbio. A leitura geral era de que tais medidas já haviam sido totalmente absorvidas nos preços praticados anteriormente.
Retomada das ações na Bolsa de Valores
O otimismo internacional também oxigenou a Bolsa brasileira. O Ibovespa interrompeu uma sequência incômoda de cinco quedas consecutivas e saltou 2,44%, encerrando o pregão aos 177.547,57 pontos — o patamar mais elevado desde 10 de julho. Com o desempenho, o índice passa a acumular uma valorização de 10,19% no ano de 2026.
A recuperação do índice foi liderada por setores de peso, como bancos, mineradoras e petroleiras. A Petrobras, cujos papéis estão entre os mais negociados, acompanhou o rali do petróleo no exterior: as ações ordinárias subiram 2,39%, enquanto as preferenciais avançaram 2,21%.
Essa recuperação ocorreu de forma descolada de Nova York, onde as principais bolsas fecharam no vermelho. O ingresso de investidores estrangeiros em busca de papéis subvalorizados no Brasil acabou compensando o mau humor em Wall Street. A sustentação desse fluxo financeiro também encontra respaldo nos dados do Banco Central: até julho de 2026, o saldo cambial acumulado no país ficou positivo em US$ 17,946 bilhões, impulsionado pela melhora nas transações financeiras em comparação ao ano anterior.











