Manaus (AM) – A Superintendência da Zona Franca de Manaus (Suframa) abriu uma frente de apuração para verificar os desdobramentos do vazamento de monômero de estireno ocorrido na unidade IV da petroquímica Innova. O incidente, registrado no final da tarde da última quarta-feira (15), forçou o órgão a exigir esclarecimentos detalhados sobre as medidas de contenção implementadas pela empresa e o impacto do sinistro na manutenção das condições de segurança do lote ocupado.
Embora a gestão da autarquia tenha reforçado que a operação segura das instalações é de responsabilidade exclusiva da companhia, conforme o regramento de suas licenças, o clima no Distrito Industrial permanece tenso. O superintendente Leopoldo Montenegro afirmou que o órgão monitora a situação e que servidores da própria Suframa foram autorizados a realizar suas atividades de forma remota como medida de precaução. Montenegro ainda destacou ter sugerido que outras empresas da região adotassem o mesmo protocolo de liberação aos funcionários.
A recomendação, no entanto, encontrou resistência no setor privado. Relatos de trabalhadores que atuam nas proximidades do polo petroquímico indicam que diversas fábricas mantiveram o regime presencial. Funcionários descreveram um odor asfixiante, semelhante ao de tinta fresca ou thinner, que, mesmo com menor intensidade nesta quinta-feira, persistiu pela região.
O impacto na saúde dos colaboradores é imediato. Trabalhadores relataram episódios de enjoo, dores de cabeça, coceira nos olhos e irritação nasal. Em uma das unidades fabris, localizada a aproximadamente dois quilômetros da Innova, a dispensa de pessoal só ocorreu após a manifestação de sintomas físicos, enquanto em outros pontos os funcionários foram orientados a procurar assistência médica individualmente para justificar eventuais faltas. Alguns, por conta própria, passaram a utilizar máscaras faciais para mitigar a inalação do gás.
O incidente teve início às 17h36 de quarta-feira. Segundo o Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas, o vazamento foi provocado pelo acionamento do sistema de segurança de um dos tanques de armazenamento, que liberou vapores para prevenir uma possível explosão. A operação de contenção envolveu 35 militares, quatro canhões de água e dez viaturas. A Innova sustenta que o evento foi controlado e que não houve vítimas, garantindo que os vapores liberados não representam riscos ao meio ambiente ou à saúde humana.
A Secretaria de Estado de Saúde contabilizou, ao menos, 16 pessoas atendidas em unidades da rede estadual durante a quarta-feira após a exposição ao gás. Enquanto a prefeitura de Manaus, por meio de um Gabinete de Crise, orienta que a população evite circular pelo Distrito Industrial e mantenha portas e janelas fechadas caso sinta o odor característico, a Suframa aguarda as respostas técnicas da Innova para definir os próximos passos da fiscalização sobre o uso da área e a conformidade dos projetos industriais aprovados.













