Washington, Estados Unidos – Uma parcela expressiva da balança comercial brasileira entre janeiro e junho deste ano — equivalente a um terço das exportações totais para o mercado americano — não será atingida pelo novo pacote de sobretaxas anunciado pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR). A lista de exclusão garante o fôlego de setores estratégicos, preservando o fluxo de aeronaves, petróleo, café e carne bovina, além de celulose, minério de ferro, ferro-gusa e suco de laranja.
O anúncio, feito nesta quarta-feira (15), crava uma taxação adicional de 25% sobre diversos bens brasileiros, mas a decisão não é indiscriminada. Washington optou por poupar os itens que, por falta de produção interna em volume necessário ou competitividade de preços, poderiam desestabilizar o abastecimento interno e elevar custos para o consumidor americano. A estratégia tenta evitar que a própria economia dos EUA sofra os efeitos colaterais dessa política protecionista.
Nem todos os ramos da indústria brasileira escaparam da medida. O cenário é diferente para exportadores de ferro e aço, vestuário, calçados, açúcar e etanol. A lista de tributação inclui ainda produtos farmacêuticos, maquinário agrícola e equipamentos elétricos que não estejam vinculados ao segmento de aviação, abrangendo um espectro considerável de manufaturados.
A imposição das tarifas é o desfecho de uma investigação conduzida pelo USTR. O órgão justificou a medida alegando que certas práticas comerciais adotadas pelo Brasil seriam descabidas, gerando prejuízos ou restrições injustas a agricultores, trabalhadores e exportadores dos Estados Unidos. As novas alíquotas estão previstas para entrar em vigor no próximo dia 22.
A reação do governo brasileiro foi imediata e contundente. Brasília manifestou seu repúdio, recusando-se a reconhecer qualquer legitimidade na investigação conduzida pela autoridade comercial americana. Para o governo nacional, inexiste base factual ou jurídica para justificar o rigor dessas taxas sobre a produção brasileira.
Diante do impasse, o Brasil sinalizou uma resposta em duas frentes. A primeira delas é o acionamento célere da Lei de Reciprocidade, dispositivo aprovado por unanimidade no Congresso Nacional para situações de desequilíbrio comercial. Paralelamente, o Itamaraty pretende elevar o conflito ao mecanismo de solução de controvérsias da OMC (Organização Mundial do Comércio), buscando contestar a medida em um fórum internacional. A tensão entre os dois parceiros comerciais atinge, assim, um novo patamar de incerteza para os produtores brasileiros.










