Brasília (DF) – A partir de 22 de julho de 2026, as exportações brasileiras para os Estados Unidos enfrentarão uma barreira alfandegária de 25%. A decisão de Washington, anunciada na quarta-feira (15), abriu uma crise diplomática imediata e levou a Presidência da República a classificar a data como “um marco lastimável” na história da relação bilateral entre as duas nações.
O Palácio do Planalto reagiu de forma dura em comunicado assinado pela Secretaria de Comunicação Social. O Brasil avisou que não aceitará a taxação e acionará imediatamente a Lei de Reciprocidade, aprovada pelo Congresso Nacional por unanimidade. A estratégia de defesa também inclui levar o impasse para os tribunais da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Para o governo brasileiro, as investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos EUA (USTR), que serviram de base para as sanções, carecem de legitimidade e violam as regras do comércio multilateral. Washington alega que o Brasil adota práticas comerciais desleais que prejudicam produtores e exportadores norte-americanos. A lista de reclamações do USTR é ampla: questiona desde a regulação de plataformas digitais e o sistema de pagamento eletrônico até o desmatamento, propriedade intelectual e acesso ao mercado de etanol.
A resposta de Brasília a esses pontos foi direta. O governo classificou como absurdas as críticas ao Pix, definindo a ferramenta de pagamentos instantâneos como um patrimônio nacional e referência de tecnologia pública. Na arena digital, o posicionamento oficial reforçou que a regulação de plataformas visa proteger famílias e combater abusos de grandes empresas de tecnologia, argumentando que a liberdade de expressão não pode servir de escudo para crimes.
No campo ambiental, o Planalto rechaçou as acusações de conivência com a destruição florestal. Lembrou que, desde 2023, houve uma queda acentuada nos índices de desmatamento em todos os biomas nacionais devido ao combate rigoroso aos crimes ambientais.
A insatisfação com a decisão norte-americana também se apoia em números e no próprio histórico comercial. Durante as audiências conduzidas pelo USTR, a maior parte do setor privado se manifestou contra o aumento das tarifas: das 78 manifestações registradas, 63 foram contrárias à medida de Washington.
O Brasil também aponta um desequilíbrio na balança comercial acumulada nos últimos 15 anos, período em que os Estados Unidos registraram um superávit de US$ 424,5 bilhões em bens e serviços nas transações com o mercado brasileiro. No ano de 2025, o Brasil permitiu que 76% de tudo o que foi importado dos EUA entrasse no país livre de impostos, com uma alíquota média efetiva de importação de apenas 3,1%.
Como blindagem contra os impactos financeiros, o governo federal pretende acionar o Plano Brasil Soberano. O programa tentará mitigar os prejuízos das empresas afetadas pela sobretaxa norte-americana, buscando preservar postos de trabalho e reorientar as exportações brasileiras para novos parceiros comerciais no mercado internacional.





