Boa Esperança (ES) – O Espírito Santo enfrenta um avanço preocupante da febre maculosa. Somente nos primeiros meses de 2026, a enfermidade foi responsável por seis óbitos no estado, com um total de 14 casos confirmados. A letalidade elevada, que atinge patamares próximos a 80%, coloca médicos e especialistas em alerta máximo. O diagnóstico tardio tem se mostrado o principal obstáculo para reverter o quadro clínico dos pacientes infectados pela bactéria transmitida pelo carrapato-estrela.
A tragédia mais recente atingiu uma criança de apenas 2 anos e 4 meses, residente em Boa Esperança, no Norte capixaba. Kiara Silva Rúbia faleceu no dia 28 de janeiro, pouco tempo após o início dos sintomas. A família, que vive em uma região de zona rural, interpretou inicialmente as manchas que surgiram no corpo da menina como um sinal de dengue. A confusão diagnóstica, comum devido à semelhança entre as enfermidades, acabou atrasando o tratamento especializado.
Após o agravamento do estado de saúde, Kiara foi encaminhada para atendimento médico em Nova Venécia. Foi lá que os exames confirmaram a presença da bactéria. A menina ainda chegou a ser transferida para uma unidade hospitalar em São Mateus, mas não resistiu. O caso da criança reflete uma realidade que se expande pelo território capixaba. Os registros de 2026 já superam, em gravidade, o cenário do ano anterior, quando foram notificados 19 casos e três mortes em todo o período de 2025.
A transmissão ocorre quando o carrapato-estrela, após ter se alimentado de sangue de animais como cavalos ou capivaras infectadas, permanece fixado à pele humana por algumas horas. Infectologistas reforçam que a prudência é a única estratégia eficaz, especialmente em zonas rurais endêmicas. A recomendação é clara: qualquer histórico de picada de carrapato deve ser tratado como um potencial sinal de alerta, não importa quão leves os sintomas possam parecer inicialmente.
O quadro clínico da febre maculosa costuma incluir episódios de febre, náuseas, vômitos, diarreia e dores intensas, tanto no corpo quanto na região atrás dos olhos. A insônia e a cefaleia também figuram como sinais frequentes. Municípios como Mimoso do Sul, Cachoeiro de Itapemirim, Baixo Guandu, Água Doce do Norte, Boa Esperança e Castelo já registraram a presença da doença.
Para a vigilância em saúde, o desafio é duplo: conscientizar a população sobre os riscos ambientais e capacitar os profissionais de saúde para que identifiquem a bactéria antes que o estágio da infecção se torne irreversível. Em áreas apontadas como de risco, prefeituras têm instalado placas de sinalização. Contudo, a natureza silenciosa da doença continua sendo um fator crítico. Como ressaltado por quem acompanhou de perto a perda de familiares, a manifestação clara dos sintomas pode, muitas vezes, indicar que o tempo para intervir já se esgotou. Com G1 ES.









