Brasília (DF) – O cenário das barragens brasileiras enfrenta um momento de vulnerabilidade técnica. Um levantamento da ANA, divulgado nesta quarta-feira (8), sinaliza que 213 estruturas atingiram o nível crítico de segurança. O risco não é apenas ambiental: o possível colapso ameaça pontes, rodovias e, sobretudo, as comunidades estabelecidas no entorno dessas áreas.
A distribuição dessas estruturas, monitoradas sob a Política Nacional de Segurança de Barragens, atravessa 19 estados e o Distrito Federal. Ceará, Mato Grosso e São Paulo figuram como os pontos de maior preocupação. No topo das estatísticas estão as barragens de mineração, somando 55 unidades, logo seguidas pelas 51 destinadas ao abastecimento público de água.
O ano de 2025 consolidou um alerta prático para o setor, contabilizando 18 acidentes — quando ocorre o rompimento — e 23 incidentes, situações em que a estrutura sofre avarias severas sem chegar ao colapso total. Embora não haja registro de fatalidades, o impacto forçou a evacuação de perímetros urbanos e causou danos materiais consideráveis à infraestrutura local.
A radiografia do setor esbarra em uma lacuna de transparência. O sistema nacional mapeia quase 30 mil barragens, mas cerca de 48% desse volume permanece com situação indefinida. Para esses casos, os dados técnicos que permitiriam aferir o perigo real à população ainda são inexistentes. Entre as estruturas devidamente classificadas, o panorama também preocupa: 6.600 delas possuem dano potencial associado médio ou alto, enquanto apenas 8 mil unidades são consideradas adequadas.
A estrutura de fiscalização apresenta sinais de desgaste. Pela primeira vez desde o rompimento da barragem em Brumadinho, em 2019, o contingente de especialistas dedicados a essa função diminuiu. Atualmente, o país conta com 333 profissionais para essa tarefa, insuficiente diante de um déficit calculado em 221 fiscais exclusivos.
A tentativa de contornar a escassez de pessoal tem ocorrido por meio de uma estratégia de otimização de recursos. Mesmo com a equipe reduzida, o volume de vistorias cresceu. As inspeções presenciais registraram uma alta de 2%, enquanto o rigor na análise de documentos subiu 49% na comparação com o ciclo anterior.
O documento detalhado já está nas mãos do Congresso Nacional. A sociedade também pode consultar o status dessas estruturas através da plataforma oficial do Sistema Nacional de Informações sobre Segurança de Barragens.













