Rio de Janeiro (RJ) – O clima da Copa do Mundo transbordou as arquibancadas e chegou às alas pediátricas e maternidades da rede estadual de saúde fluminense. Em um esforço para transformar o ambiente hospitalar em um lugar de celebração, unidades de saúde no Rio de Janeiro adotaram iniciativas que vão desde a entrega de lembranças personalizadas até apresentações lúdicas para pacientes em tratamento.
No Hospital Estadual da Mãe, localizado em Mesquita, na Baixada Fluminense, a chegada de um bebê durante o torneio ganhou contornos de evento festivo. As famílias que dão à luz no local recebem um kit comemorativo, que inclui toucas decoradas com as cores do Brasil e um certificado de “Minha Primeira Copa”. O registro mais peculiar, porém, é a chamada “Árvore da Vida”: uma impressão da placenta que, além de conter dados como peso, altura e horário do nascimento, é estilizada com as cores da bandeira nacional.
Para Thayane Galdino, moradora de Belford Roxo, o nascimento de Mavie coincidiu com uma atmosfera de otimismo no país. Aos 26 anos, ela descreve a experiência como marcante, reforçando que o suporte recebido no hospital garantiu que o momento fosse vivido com a tranquilidade necessária, apesar da tensão habitual que o ambiente hospitalar impõe.
Enquanto o foco na Baixada Fluminense é a recepção dos recém-nascidos, o Hospital Estadual Ricardo Cruz, em Nova Iguaçu, apostou no entretenimento para aliviar o cotidiano de quem enfrenta longos períodos de internação. O projeto “Plantão da Alegria, arte todo dia” adaptou seu repertório de teatro de fantoches para o período da Copa. Os bonecos Ricardinho e Mika agora vestem camisas da Seleção Brasileira e circulam pelas enfermarias interagindo com os pacientes.
Helena, de apenas dois anos, foi uma das crianças impactadas pela iniciativa. A pequena, que precisou ser internada com estomatite e amigdalite após passar uma semana sem conseguir se alimentar, encontrou nos fantoches um refúgio para o estresse do tratamento com soro e medicamentos. Para a mãe da menina, Tainá Teixeira, a mudança de foco foi fundamental para a recuperação da filha, permitindo que ela voltasse a socializar e brincar.
Por trás dos bonecos está Rainara Cruz, integrante da Comissão de Pele da unidade, que conduz as apresentações com curiosidades sobre as partidas e os artilheiros do torneio. O objetivo das encenações é claro: humanizar o atendimento médico.
O impacto emocional dessas ações é o que sustenta o trabalho da Assessoria de Humanização da Secretaria de Estado de Saúde. Ao introduzir o lúdico no cotidiano hospitalar, a intenção é atenuar o desgaste emocional dos pacientes e estreitar a relação entre familiares e a equipe de assistência. Em um período em que o país se volta para os jogos, os hospitais tentam mostrar que a recuperação também pode ter espaço para o afeto e a leveza.











