Ibatiba (ES) – O chão tremeu duas vezes com força devastadora pouco depois das 19h da última quarta-feira (25) na Venezuela. O primeiro abalo, de magnitude 7.2, ocorreu a cerca de 160 quilômetros a oeste de Caracas. Menos de um minuto depois, um segundo sismo, ainda mais potente, com 7.5 na escala Richter, atingiu a mesma região, tornando este o evento sísmico mais severo registrado no território venezuelano em mais de um século.
O impacto imediato foi catastrófico: 164 mortes confirmadas e quase mil feridos espalhados por cidades do centro-norte do país. O cenário nas horas seguintes ao desastre era de escuridão e isolamento, com a infraestrutura elétrica comprometida e o acesso à internet severamente limitado. Relatórios preliminares estimam perdas econômicas que podem atingir 7% do PIB nacional, enquanto projeções de danos sugerem que o número de vítimas atingidas pode variar entre 10 mil e 100 mil pessoas.
A presidenta interina Delcy Rodríguez decretou estado de emergência para centralizar a resposta à crise. As medidas incluem a suspensão de aulas e a convocação urgente de profissionais de saúde para atuar nas zonas críticas. Para financiar o socorro, o governo anunciou a liberação de um fundo de 200 milhões de dólares, montante que estava retido no FMI.
O caos se estende além das estatísticas oficiais. Grupos de oposição apontam que registros paralelos indicam mais de 10 mil desaparecidos, um número que, se confirmado, pode elevar drasticamente a escala da tragédia. Enquanto isso, equipes de resgate tentam remover os destroços de prédios que vieram abaixo, em uma corrida contra o tempo para localizar sobreviventes.
O reflexo dos abalos foi sentido muito além das fronteiras venezuelanas. No Brasil, moradores de Roraima, Amazonas, Pará e Amapá sentiram a terra oscilar. Em cidades como Belém, Santarém e Macapá, a preocupação foi tamanha que a evacuação de edifícios precisou ser executada como medida de segurança.
O Itamaraty confirmou que não há registros de cidadãos brasileiros entre os mortos ou feridos até o momento. O governo brasileiro expressou solidariedade ao país vizinho, e o presidente Lula determinou que o Ministério das Relações Exteriores avalie as formas mais eficazes de prestar assistência. Para organizar o fluxo de informações e pedidos de ajuda, plantões consulares foram abertos tanto na Embaixada em Caracas quanto em Brasília.
Após a sequência inicial, a terra continuou instável. Pelo menos 30 réplicas de menor intensidade foram registradas, mantendo a população em alerta e dificultando o trabalho das equipes de emergência. A região vive agora uma vigília, enquanto o mundo observa a capacidade de resposta do país diante de uma catástrofe que reescreve a geografia e a realidade social venezuelana da noite para o dia.






