Washington, Estados Unidos – O xadrez geopolítico do Hemisfério Ocidental passa por uma transformação acelerada, com o Brasil ocupando o centro das atenções na estratégia externa de Donald Trump. O presidente dos Estados Unidos sinalizou que o pleito brasileiro é o obstáculo definitivo para consolidar sua influência na região. A mensagem ecoa o conteúdo de um documento oficial de segurança nacional de 2025, que desenha os contornos de uma política externa pautada pelo que o governo chama de Corolário Trump.
A percepção da Casa Branca ganhou corpo através da divulgação de um artigo do setorista político John Gizzi. O texto, entusiasta da trajetória do republicano, classifica a atual conjuntura como um movimento de realinhamento ideológico que se espalha pelas Américas. Na visão do colunista, o apoio de Trump a nomes como Abelardo de la Espriella, eleito na Colômbia, compõe uma série de vitórias que incluiria ainda resultados em El Salvador, Argentina e Equador. A narrativa é clara: o mapa regional estaria sendo redesenhado com uma inclinação conservadora inegável.
Os alvos de Washington
Apesar do otimismo com o avanço de aliados, o texto republicado pela equipe do republicano mapeia resistências. Venezuela, Cuba e Nicarágua permanecem como zonas de atrito, mas é o Brasil que aparece destacado como o laboratório de maior impacto. Por ser a maior potência da América Latina, o país é tratado como a disputa que definirá o sucesso — ou a frustração — da estratégia de Washington para a próxima década.
O foco no cenário brasileiro tem nomes e estratégias definidos. O texto aponta para a articulação de apoiadores de Jair Bolsonaro em torno da figura de Flávio Bolsonaro, com o objetivo de confrontar a atual gestão de Luiz Inácio Lula da Silva. O recado é pragmático: se Brasília inclinar-se à direita, a geografia política do continente sofrerá uma alteração drástica em comparação com os últimos dez anos.
A releitura de uma velha doutrina
A estratégia norte-americana para a região não é aleatória; ela se baseia em uma leitura atualizada da Doutrina Monroe, datada originalmente de 1823. Naquela época, o princípio serviu para limitar a influência de potências europeias. Sob o comando de Trump, a lógica ganha novos contornos, focados na exclusão de competidores comerciais e na garantia de controle sobre infraestruturas estratégicas.
O documento oficial da Casa Branca não deixa margem para sutilezas: após o que classificam como anos de negligência, os Estados Unidos pretendem reafirmar sua soberania no Hemisfério Ocidental. Isso implica, na prática, em expulsar empresas estrangeiras que investem em obras e serviços essenciais no continente. É a tentativa de garantir que a América, conforme o lema de campanha, volte a ser, prioritariamente, uma extensão da influência e dos interesses americanos.







